<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719</id><updated>2012-01-30T13:12:45.499-03:00</updated><title type='text'>Por trás da Letra</title><subtitle type='html'>Este blog recupera alguns textos que escrevi para o Bar do Zé, site de vida curta e profícua, que embriagou a internet em 2000. 
Ali, escrevia uma coluna, chará deste blog, onde contava histórias e curiosidades que estavam - adivinhem - por trás das letras de músicas.
A idéia, agora, é trazer novas histórias e discussões perdidas atrás do balcão da música brasileira.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>21</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-3996122012426296842</id><published>2011-08-15T17:53:00.008-03:00</published><updated>2011-08-17T15:41:47.250-03:00</updated><title type='text'>Pisa na Fulô</title><content type='html'>(João do Vale / Ernesto Pires / Silveira Júnior) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pisa na fulô, pisa na fulô&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-M1_2lha092Q/TkmJdDoLhcI/AAAAAAAABqE/Q-97Ud-fVL0/s1600/o-poeta-do-povo-1965-por-joao-do-vale%255B1%255D.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; height: 198px; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; width: 196px;"&gt;&lt;img border="0" height="200" naa="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-M1_2lha092Q/TkmJdDoLhcI/AAAAAAAABqE/Q-97Ud-fVL0/s200/o-poeta-do-povo-1965-por-joao-do-vale%255B1%255D.jpg" width="195" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Pisa na fulô, não maltrata o meu amô&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um dia desse fui dançá lá em Pedreira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na rua da Golada e gostei da brincadeira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Zé Caxangá era o tocadô &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas só tocava pisa na fulô &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sô Serafim cuchichava a Marvió&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sô capaz de jurá que eu nunca vi forró mió&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Inté vovó garrô na mão de vovô&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vão’bora meu veinho, pisa na fulô&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu vi menina que nem tinha doze ano&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Agarrar seu par, também sair dançando&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Satisfeita e dizendo:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu amô, ai como é gostoso, pisa na fulô&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De madrugada Zéca Caxangá&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Disse ao dono da casa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Num precisa me pagá&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas por favô arranje outro tocadô&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que eu também quero pisa na fulô&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vem cá menina, que eu também quero&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que eu também vou pisa na fulô&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pisa na fulô, não maltrata o meu amô.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João do Vale foi um homem de duas faces.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira é a do menino, que, de tão festeiro, aos sete anos, ganhou do avô o apelido de “Pé de Xote”. Sua alegria, seu ritmo, sua espontaneidade estão presentes em “Pisa na Fulô”, composição de 1957 em que retrata os arrasta-pés de sua cidade natal, Pedreira, no Maranhão, feita assim que chegou ao Rio de Janeiro e que, pela voz do cantor Ivon Curi – um galã, á época, acreditem – espalhou a fama de João do Vale, deixando todo o Nordeste orgulho do sucesso de seu filho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A outra face de João também remonta sua infância. Quinto de oito filhos de agricultores, sem terra e muito pobres, fugiu da miséria nordestina aos quinze anos. Antes de chegar ao Rio, em paus-de-arara e pegando carona nas boleias de caminhões, passou por Piauí, Ceará, Bahia e Minas Gerais. Foi ajudante de caminhão, ajudante de pedreiro, trabalhou no garimpo, fez de tudo para sobreviver. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até cantar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fugiu para virar artista, equilibrista, dividido entre a amargura da fome e a alegria do menino “Pé de Xote”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No início dos anos 60, João do Vale passou a apresentar-se no bar Zicartola, reduto musical comandado por Cartola e sua mulher, Zica, sob os olhares atentos de Sérgio Cabral, Hermínio Belo de Carvalho, Zé Ketti, Paulinho da Viola e outros bambas. Ali, João passou a conviver com a nata da intelectualidade brasileira e&amp;nbsp;a compor uma música engajada, ácida, que denunciava as agruras do nascente regime militar e as mazelas de um Brasil que não saía nos jornais, não estava nas revistas, não era Bossa Nova. &lt;/div&gt;Em 1964, foi convidado por Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha, para integrar o show “Opinião”, marco na história da música e do teatro brasileiros, que reunia João do Vale, Zé Keti e Nara Leão. Respectivamente, o nordestino, o favelado e a “pobre menina rica”. Um retrato do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, ele não era, apenas, o compositor de “Pisa na Fulô”. Era o autor de “Carcará”, seu maior sucesso, uma violenta crítica à ditadura, eternizada na voz da Maria Bethânia - que substituíra&amp;nbsp;Nara Leão no show "Opinião". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Brasil passava a conhecer a dura realidade do menino pobre de Pedreira. João do Vale estava vingado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certo dia, durante a temporada do show “Opinião” em São Paulo, depois do espetáculo, João foi tomar das suas no Bar Redondo, que ficava perto do Teatro de Arena. Lá pelas tantas, foi abordado por um coronel nordestino, aparentemente muito rico, que se deslocara de suas terras especialmente para contratá-lo para um fazer um show, no sertão de Pernambuco. Feito o convite, o Coronel avisa:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;- Mas lá tu não precisa cantar essas músicas novas, não, que o povo gosta mesmo é de “Pisa na Fulô”!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João do Vale já ia declinando do convite quando o Coronel, percebendo o movimento de recusa de seu interlocutor,&amp;nbsp;declinou o valor da proposta. Era irrecusável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma semana depois, sob sol escaldante e em meio a um foguetório, João desembarcava do avião fretado pelo Coronel, na cidadezinha por este controlada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de iniciar o show, sob os olhares atentos do padre, do sacristão, do prefeito e de todos os&amp;nbsp;seus aceclas, de toda a cidade, enfim, o Coronel anuncia o compositor de “Pisa na Fulô”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João do Vale é ovacionado e a multidão vai logo entoando os primeiros versos da canção: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;- "Pisa na fulô, pisa na fulo, pisa na fulô, não maltrata o meu amô”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João entra na dança e comanda a galera: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;- “Pisa na fulô, pisa na fulo, pisa na fulô, não maltrata o meu amô”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O compositor&amp;nbsp;cantava, alegre, dançava, comandava coreografias, e seguia em sua canção: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;- “Pisa na fulô, pisa na fulo, pisa na fulô, não maltrata o meu amô”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tempo foi passando, o público se cansando, mas João parecia não querer se desfazer da lebrança de seus tempos de&amp;nbsp;“Pé de Xote” e prosseguia, em&amp;nbsp;suas evoluções coreográficas, decantando os bailes da Pedreira de sua infância: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;- “Um dia desse fui dançá lá em Pedreira, na rua da Golada e gostei da brincadeira..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Até chegar, novamente, ao refrão, que já começava a soar insuportável aos ouvidos da multidão.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- "Pisa na fulô, pisa na fulo, pisa na fulô, não maltrata o meu amô”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá pelas tantas, percebendo que o repertório não sairia daquilo e temendo se indispor com o povaréu, o Coronel, gentilmente, aproximou-se do cantor e suplicou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;- Pelo amor de Deus, canta outra música que essa o povo não agüenta mais.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imediatamente, João fez sinal à orquestra, parou de cantar e,&amp;nbsp;de modo grave,&amp;nbsp;levantou os braços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A galera, atônita, calou-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fez-se o silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João do Vale, então, entoou, à capela, “Sina de Caboclo”, uma das músicas mais engajadas do repertório do show "Opinião": &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;em&gt; “Eu sou um pobre caboclo, /Ganho a vida na enxada. /O que eu colho é dividido / Com quem não planta nada. / Se assim continuar / vou deixar o meu sertão,/ mesmos os olhos cheios d'água e com dor no coração.”&lt;/em&gt; (vide letra completa nos comentários, ou vejouça no &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=yvkolUGD8rg"&gt;You Tube&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em pânico, o Coronel invadiu o palco, pegou o microfone e, aos berros, desesperado, retomou o enfadonho repertório:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;- “Pisa na Fulô, Pisa na Fulô, Pisa na Fulô, não maltrata o meu amô”!!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: causo contado pelo Mestre Rolando Boldrin, no seu excelente “Senhor Brasil”, na TV Cultura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-3996122012426296842?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/3996122012426296842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=3996122012426296842&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/3996122012426296842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/3996122012426296842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2011/08/pisa-na-fulo.html' title='Pisa na Fulô'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-M1_2lha092Q/TkmJdDoLhcI/AAAAAAAABqE/Q-97Ud-fVL0/s72-c/o-poeta-do-povo-1965-por-joao-do-vale%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-2770784566558378469</id><published>2010-03-24T15:52:00.004-03:00</published><updated>2010-04-09T12:54:10.059-03:00</updated><title type='text'>Anos Dourados</title><content type='html'>&lt;p&gt;(Tom Jobim / Chico Buarque)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parece que dizes&lt;br /&gt;Te amo, Maria&lt;br /&gt;Na fotografia&lt;br /&gt;Estamos felizes&lt;br /&gt;Te ligo afobada&lt;br /&gt;E deixo confissões&lt;br /&gt;No gravador&lt;br /&gt;Vai ser engraçado&lt;br /&gt;Se tens um novo amor&lt;br /&gt;Me vejo a teu lado&lt;br /&gt;Te amo?&lt;br /&gt;Não lembro&lt;br /&gt;Parece dezembro&lt;br /&gt;De um ano dourado&lt;br /&gt;Parece bolero&lt;br /&gt;Te quero, te quero&lt;br /&gt;Dizer que não quero&lt;br /&gt;Teus beijos nunca mais&lt;br /&gt;Teus beijos nunca mais&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Não sei se eu ainda&lt;br /&gt;Te esqueço de fato&lt;br /&gt;No nosso retrato&lt;br /&gt;Pareço tão linda&lt;br /&gt;Te ligo ofegante&lt;br /&gt;E digo confusões no gravador&lt;br /&gt;E desconcertante&lt;br /&gt;Rever o grande amor&lt;br /&gt;Meus olhos molhados&lt;br /&gt;Insanos, dezembros&lt;br /&gt;Mas quando me lembro&lt;br /&gt;São anos dourados&lt;br /&gt;Ainda te quero&lt;br /&gt;Bolero, nossos versos são banais&lt;br /&gt;Mas como eu espero&lt;br /&gt;Teus beijos nunca mais&lt;br /&gt;Teus beijos nunca mais&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;1980 © - &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:marola.marilda@uol.com.br"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Marola Edições Musicais Ltda&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Grande parte das canções de Chico Buarque é feita por encomenda.&lt;br /&gt;Filmes, peças de teatro, balés são a verdadeira “inspiração” do artista. Escrito o texto da peça, realizado o copião do filme, é feita a encomenda e o compositor chamado às falas para agregar o melhor de sua arte, suas canções, à outra obra já desenhada.&lt;br /&gt;Mas ele avisa: “Eu sou confiável, mas o compositor não é”.&lt;br /&gt;Ou seja, o texto é escrito, o filme, filmado e a trilha, simplesmente, não fica pronta. Não por desídia, desleixo ou negligência do compositor, defende-se Chico, mas por dificuldade mesmo de fazer a letra, a canção.&lt;br /&gt;Os parceiros mais chegados já conhecem a peculiaridade do amigo.&lt;br /&gt;É famosa a história de “Wave”. Tom Jobim enviou-lhe a melodia da canção. Passado algum tempo, cobrou o parceiro, que, encabulado, reconheceu que só conseguira escrever um verso: “Vou te contar...”. Cansado de esperar, Tom fez o resto, se é que se pode assim chamar a maravilhosa letra que se segue. Os olhos já não podem ver coisas que só o coração pode entender...&lt;br /&gt;Com “Luiza” ocorreu o mesmo. Mais um branco de Chico, que se esquivou-se com o argumento de que o melhor letrista de Tom Jobim era Tom Jobim.&lt;br /&gt;Até mesmo o grande Astor Piazzola foi vítima do compositor. No início dos anos 70, o maestro argentino mandou uma música para Chico pôr a letra. Nada.&lt;br /&gt;Passados os anos, já em meados da década de 80, Piazzola, que nem se lembrava mais da própria música, veio participar do programa “Chico e Caetano”, na TV Globo. Animado com a presença do argentino e a possibilidade de concretizar a parceria internacional, Chico Buarque prometeu que, finalmente, colocaria a tão esperada letra na já esquecida melodia. Com a animação do letrista, animou-se o maestro, que pôs-se, imediatamente, a ouvir a fita e trabalhar no arranjo. Na semana seguinte, já no estúdio, Piazzola recebeu a notícia de que Chico se atrasaria, pois estava jogando futebol. E pior: não conseguira fazer a letra.&lt;br /&gt;O argentino ficou fulo. Não sabia do histórico do possível parceiro. Sentiu-se desrespeitado. Pensou que era desleixo. Não entendia como um compositor com a tarimba e a qualidade de Chico Buarque, simplesmente, não conseguia colocar letra em sua música.&lt;br /&gt;Amigo de ambos, Tom Jobim se divertia com a situação, botando mais lenha na fogueira e, aos risos, depreciando o parceiro preguiçoso: “O Chico é assim mesmo, ele fica jogando futebol ...”. Só a zombaria do maestro brasileiro foi capaz de acalmar o ânimo caliente do argentino.&lt;br /&gt;Apesar de gato escaldado, parece que Tom não temia água fria.&lt;br /&gt;A encomenda veio da Globo para uma minissérie chamada “Anos Dourados”. Prontamente, a melodia foi entregue por Tom, mas a letra, só depois que o programa saiu do ar. Mais uma vez, Tom ficou na mão e a música foi lançada na TV, sem letra.&lt;br /&gt;O letrista veio com nova e esfarrapada desculpa: “Eu não atrasei, a minissérie é que foi precipitada”.&lt;br /&gt;Talvez a demora se explique pelo preciosismo do autor.&lt;br /&gt;Na exposição "Chico Buarque - O tempo e o Artista, com curadoria de Zeca Buaqrue Ferreira, sobrinho do homenageado, a letra de "Anos Dourados" é exposta, praticamente pronta, datilografada, batida à máquina, com algumas alterações feitas à mão. Dentre elas, a substituição do artigo indefinido “um”, pelo definido “o”, quando se afirma que “é desconcertante rever o grande amor”.&lt;br /&gt;De fato, faz toda a diferença para justificar as confissões no gravador, os dezembros insanos e dourados, a dificuldade de dizer “teus beijos nunca mais”.&lt;br /&gt;Disso, só o grande amor é capaz.&lt;br /&gt;E Chico Buarque, ainda que demorem alguns dezembros.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-2770784566558378469?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/2770784566558378469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=2770784566558378469&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/2770784566558378469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/2770784566558378469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2010/03/anos-dourados.html' title='Anos Dourados'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-2926511368406791409</id><published>2009-09-08T15:50:00.014-03:00</published><updated>2010-04-09T14:00:03.317-03:00</updated><title type='text'>Sampa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Caetano Veloso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Alguma coisa acontece no meu coração&lt;br /&gt;Que só quando cruza a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Ipiranga&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Avenida&lt;/span&gt; São João&lt;br /&gt;É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi&lt;br /&gt;Da dura poesia concreta de tuas esquinas&lt;br /&gt;Da deselegância discreta de tuas meninas&lt;br /&gt;Ainda não havia para mim Rita &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Lee&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A tua mais completa tradução&lt;br /&gt;Alguma coisa acontece no meu coração&lt;br /&gt;Que só quando cruza a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Ipiranga&lt;/span&gt; e avenida São João&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto&lt;br /&gt;Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto&lt;br /&gt;É que Narciso acha feio o que não é espelho&lt;br /&gt;E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho&lt;br /&gt;Nada do que não era antes quando não somos mutantes&lt;br /&gt;E foste um difícil começo&lt;br /&gt;Afasto o que não conheço&lt;br /&gt;E quem vem de outro sonho feliz de cidade&lt;br /&gt;Aprende depressa a chamar-te de realidade&lt;br /&gt;Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas&lt;br /&gt;Da força da grana que ergue e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;destroi&lt;/span&gt; coisas belas&lt;br /&gt;Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas&lt;br /&gt;Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços&lt;br /&gt;Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Pan&lt;/span&gt;-Américas de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Áfricas&lt;/span&gt; utópicas, túmulo do samba&lt;br /&gt;Mas possível novo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;quilombo&lt;/span&gt; de Zumbi&lt;br /&gt;E os Novos Baianos passeiam na tua &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;garoa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E novos baianos te podem curtir numa boa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;© Editora &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Gapa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cruza a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Ipiranga&lt;/span&gt; e a Avenida São João, meu coração paulistano não sofre grandes abalos, a não ser por uma leve vontade de gastar quinze minutos com um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;chopp&lt;/span&gt; no terraço do Bar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Brahma&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Consta, porém, que não é o que se passa com o coração de quem chega por aqui, sem nada entender. E assim se deu com Caetano, em 1965, quando, ao lado da mana &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Bethânia&lt;/span&gt;, viu seu coração vagabundo cruzar palpitante as avenidas que se cruzam e que sua canção ajudou a imortalizar.&lt;br /&gt;Na verdade, a Avenida São João já havia sido imortalizada por cenas de sangue num bar cantadas em &lt;em&gt;&lt;a href="http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/09/ronda.html"&gt;Ronda&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, de Paulo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Vanzolini&lt;/span&gt;. Aliás, a frase melódica do último verso de &lt;em&gt;Ronda&lt;/em&gt; ("cena de sangue num bar na Avenida São João") é reproduzida na introdução e nos versos finais de cada estrofe de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;&lt;em&gt;Sampa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/SqbThblORKI/AAAAAAAABnM/lUVOC2XGodk/s1600-h/ronsampa.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379219376233661602" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 302px; CURSOR: hand; HEIGHT: 55px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/SqbThblORKI/AAAAAAAABnM/lUVOC2XGodk/s320/ronsampa.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O compositor &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;paulista&lt;/span&gt; não gostou da citação e, a cada rara entrevista que concede, não perde a oportunidade de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;espinafrar&lt;/span&gt; o baiano, acusando-o de plágio. Costuma dizer que "&lt;em&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Sampa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; é puro marketing".&lt;br /&gt;Ao meu ver, é &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;incompreensível&lt;/span&gt; a postura do sempre enfático e coerente &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Vanzolini&lt;/span&gt;, pois ao citar sua música em &lt;em&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Sampa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, fica claro que Caetano considerou &lt;em&gt;Ronda&lt;/em&gt;, que já havia sido gravada por &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Bethânia&lt;/span&gt;, uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;canção&lt;/span&gt; capaz de traduzir a cidade que ele pretendia homenagear. Trata-se, portanto, também, de uma homenagem a Paulo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Vanzolini&lt;/span&gt;. Ainda que por tabela.&lt;br /&gt;Mas &lt;em&gt;Ronda&lt;/em&gt; é, apenas, a primeira &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;homegeada&lt;/span&gt;, já que a canção é repleta de citações e homenagens a São Paulo e seus personagens, a começar por Rita &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Lee&lt;/span&gt;, eleita a mais completa tradução da cidade, e sua banda, Os Mutantes, composta por ela e pelos irmãos Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, responsáveis pela face mais &lt;em&gt;rock'n &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;roll&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;tropicalismo&lt;/span&gt; e da música popular brasileira.&lt;br /&gt;O "avesso do avesso do avesso do avesso" é referência &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;direta&lt;/span&gt; ao poeta &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;concretista&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;Décio&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;Pignatari e sua luta pelo avesso&lt;/span&gt;. O irmãos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;Haroldo&lt;/span&gt; e Augusto de Campos surgem como "poetas de campos e espaços". É a dura poesia concreta nas esquinas de Caetano.&lt;br /&gt;Em 1969, na montagem do Teatro Oficina de “Selva das Cidades”, de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;Bertold&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;Brecht&lt;/span&gt;, a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;arquiteta&lt;/span&gt; e cenógrafa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;Lina&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;Bo&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;Bardi&lt;/span&gt; colocou meia dúzia de troncos de árvores abatidas para a construção do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;Minhocão&lt;/span&gt; num &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;ringue&lt;/span&gt; de boxe. No fim da cena, ironicamente chamada de “Área Verde”, os troncos desmoronavam. Caetano ficou impressionado com a obra do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;Diretor&lt;/span&gt; José Celso Martinez &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;Corrêa&lt;/span&gt; e, quando compôs &lt;em&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;Sampa&lt;/span&gt;, &lt;/em&gt;rendeu esta homenagem ao teatro paulistano, mencionando as "Oficinas de Florestas" da cidade. Hoje, José Celso defende o fim do Minhocão e a instalação de uma imensa área verde no entorno do teatro, localizado no paulistaníssimo bairro do Bixiga. Em retribuição à homenagem de Caetano, tal área será batizada de Oficina de Florestas.&lt;br /&gt;Ainda que em tempos de aquecimento global São Paulo alterne momentos de estiagem e outros de enchentes, houve um tempo em que São Paulo era conhecida como "terra da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;garoa&lt;/span&gt;". Não seria de se estranhar que os "deuses da chuva" citados em &lt;em&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;Sampa&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;fizessem menção a esta alcunha. O mais provável, porém, é que o termo faça referência ao romance "Deus da Chuva e da Morte", do poeta e compositor paulistano Jorge &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;Mautner&lt;/span&gt;, amigo e parceiro de Caetano, muito próximo ao &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;tropicalismo&lt;/span&gt;. Referência para a turma da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;Tropicália&lt;/span&gt;, o livro &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;PanAmérica&lt;/span&gt;, de José &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;Agrippino&lt;/span&gt; de Paula, também abocanhou sua citação.&lt;br /&gt;Aliás, impressiona no &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;Tropicalismo&lt;/span&gt;, especialmente na obra de Caetano, a tendência à auto-referência. Será que Narciso acha feio o que não é espelho?&lt;br /&gt;Mas a turma da Bossa Nova também costuma merecer a atenção do bom &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54"&gt;baiano&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;“&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_55"&gt;Johnny&lt;/span&gt;, volta pro Rio. São Paulo é o túmulo do samba”. Foi o que disse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_56"&gt;Vinícius&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_57"&gt;Moraes&lt;/span&gt; para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_58"&gt;Johnny&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_59"&gt;Alf&lt;/span&gt;, quando este foi importunado por um cliente da boate La Cave, completamente embriagado. O autor de &lt;em&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_60"&gt;Sampa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; assinou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_61"&gt;embaixo&lt;/span&gt; da provocação do poeta. O curioso é que este já havia feito, muito antes dessa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_62"&gt;polêmica&lt;/span&gt;, em 1954, por ocasião do IV centenário da cidade, em parceria com o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_63"&gt;pernambucano&lt;/span&gt;-carioca, cronista, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_64"&gt;radialista&lt;/span&gt;, poeta, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_65"&gt;boêmio&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_66"&gt;cardispliscente&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_67"&gt;Antonio&lt;/span&gt; Maria, o belo "Dobrado de Amor a São Paulo", cujo verso final - notem a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_68"&gt;coincidência&lt;/span&gt; - faz o sol encontrar o poeta na Avenida São João. Sempre a São João. (veja a letra completa nos comentários a este texto)&lt;br /&gt;Por fim, quando "Novos Baianos passeiam na tua &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_69"&gt;garoa&lt;/span&gt;", faz-se referência ao conjunto musical composto por &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_70"&gt;Moraes&lt;/span&gt; Moreira, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_71"&gt;Pepeu&lt;/span&gt; Gomes, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_72"&gt;Baby&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_73"&gt;Consuelo&lt;/span&gt; (hoje, do Brasil), Paulinho Boca de Cantor e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_74"&gt;Luiz&lt;/span&gt; Galvão, sempre apoiados pelos meninos da Cor do Som.&lt;br /&gt;Assim, milhões de novos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_75"&gt;pernambucanos&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_76"&gt;paraibanos&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_77"&gt;cearences&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_78"&gt;alagoanos&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_79"&gt;sergipanos&lt;/span&gt; e, por que não, baianos, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_80"&gt;ainda&lt;/span&gt; podem curtir São Paulo numa boa. Vêm com outro sonho feliz de cidade. Não há mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_81"&gt;garoa&lt;/span&gt;, nem lhes sobra muito tempo para o passeio. A força da grana os oprime nas filas, vilas, favelas. Correm entre carros, com suas motocicletas, lutando para não engordarem as mórbidas estatísticas. Aprenderam depressa que o outro nome de Sampa é realidade, mas seguem construindo a cidade para que ela um dia se transforme, quem sabe, em suas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_82"&gt;Áfricas&lt;/span&gt; utópicas, seus mais possíveis novos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_83"&gt;quilombos&lt;/span&gt; de Zumbi.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-2926511368406791409?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/2926511368406791409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=2926511368406791409&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/2926511368406791409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/2926511368406791409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2009/09/sampa-caetano-veloso-alguma-coisa.html' title='Sampa'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/SqbThblORKI/AAAAAAAABnM/lUVOC2XGodk/s72-c/ronsampa.gif' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-3825627686292379084</id><published>2008-12-01T14:03:00.003-03:00</published><updated>2009-08-19T18:10:06.270-03:00</updated><title type='text'>Trem das Onze</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/STQaLS1HMtI/AAAAAAAAA5o/klhOT0TD29k/s1600-h/129_1550-adoniran2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274869844893184722" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 234px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/STQaLS1HMtI/AAAAAAAAA5o/klhOT0TD29k/s320/129_1550-adoniran2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Não posso ficar&lt;br /&gt;Nem mais um minuto com você&lt;br /&gt;Sinto muito amor&lt;br /&gt;Mas não pode ser&lt;br /&gt;Moro em Jaçanã&lt;br /&gt;Se eu perder esse trem&lt;br /&gt;Que sai agora às onze horas&lt;br /&gt;Só amanhã de manhã&lt;br /&gt;E além disso mulher&lt;br /&gt;Tem outra coisa&lt;br /&gt;Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar&lt;br /&gt;Sou filho único&lt;br /&gt;Tenho minha casa pra olhar&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Com todo o respeito a Rita Lee e ao compositor baiano, a mais completa tradução de Sampa chama-se Adoniran Barbosa. Para muitos, "Trem das Onze" é a mais completa tradução de Adoniran. Ledo engano.&lt;br /&gt;Primeiro porque o compositor morria de medo de andar de trem - temia ficar preso entre as portas quando estas se fechassem. De outra parte, Adoniran se caracterizara por adotar em suas canções a linguagem popular, compondo em português errado. O compositor se defendia: "Não adianta querer falar errado. Tem que saber falar errado".&lt;br /&gt;O certo é que "Trem das Onze", que ganhou o primeiro prêmio no concurso de músicas de carnaval no 4º Centenário da cidade do Rio de Janeiro com o grupo Demônios da Garoa, em 1964, saiu sem erros de português. Exceto um.&lt;br /&gt;Várias das canções de Adoniran homenageavam bairros e ruas da cidade que ele, boêmio inveterado, se gabava por conhecer pessoalmente. De fato, conhecia São Paulo como poucos, mas conta o compositor e biólogo Paulo Vanzolini, outra fiel tradução da Paulicéia, que no Jaçanã ninguém diz "em Jaçanã", como está em "Trem das Onze". Todos falam "no Jaçanã". Foi tirar satisfação e ouviu do amigo: "E eu lá sei onde é essa porcaria."&lt;br /&gt;Parece que, apesar da foto ao lado, o Jaçanã Adoniran não conhecia tão bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=GFhkdmlLQ2Q&amp;amp;feature=related"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=GFhkdmlLQ2Q&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-3825627686292379084?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/3825627686292379084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=3825627686292379084&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/3825627686292379084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/3825627686292379084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2008/12/trem-das-onze.html' title='Trem das Onze'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/STQaLS1HMtI/AAAAAAAAA5o/klhOT0TD29k/s72-c/129_1550-adoniran2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-7343896399905139695</id><published>2008-11-13T20:07:00.008-03:00</published><updated>2008-11-14T13:48:48.451-03:00</updated><title type='text'>João e Maria</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/SRy2jFXsbSI/AAAAAAAAA5g/ltPOna186Pc/s1600-h/jo%C3%A3o+e+maria.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268286377969872162" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/SRy2jFXsbSI/AAAAAAAAA5g/ltPOna186Pc/s320/jo%C3%A3o+e+maria.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(Sivuca/Chico Buarque)&lt;br /&gt;1977&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Agora eu era o herói&lt;br /&gt;E o meu cavalo só falava inglês&lt;br /&gt;A noiva do cowboy&lt;br /&gt;Era você&lt;br /&gt;Além das outras três&lt;br /&gt;Eu enfrentava os batalhões&lt;br /&gt;Os alemães e seus canhões&lt;br /&gt;Guardava o meu bodoque&lt;br /&gt;E ensaiava um rock&lt;br /&gt;Para as matinês&lt;br /&gt;Agora eu era o rei&lt;br /&gt;Era o bedel e era também juiz&lt;br /&gt;E pela minha lei&lt;br /&gt;A gente era obrigada a ser feliz&lt;br /&gt;E você era a princesa&lt;br /&gt;Que eu fiz coroar&lt;br /&gt;E era tão linda de se admirar&lt;br /&gt;Que andava nua pelo meu país&lt;br /&gt;Não, não fuja não&lt;br /&gt;Finja que agora eu era o seu brinquedo&lt;br /&gt;Eu era o seu pião&lt;br /&gt;O seu bicho preferido&lt;br /&gt;Sim, me dê a mão&lt;br /&gt;A gente agora já não tinha medo&lt;br /&gt;No tempo da maldade&lt;br /&gt;Acho que a gente nem tinha nascido&lt;br /&gt;Agora era fatal&lt;br /&gt;Que o faz-de-conta terminasse assim&lt;br /&gt;Pra lá deste quintal&lt;br /&gt;Era uma noite que não tem mais fim&lt;br /&gt;Pois você sumiu no mundo&lt;br /&gt;Sem me avisar&lt;br /&gt;E agora eu era um louco a perguntar&lt;br /&gt;O que é que a vida vai fazer de mim &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;1977 © by Cara Nova Editora Musical Ltda. Av. Rebouças, 1700 CEP 057402-200 - São Paulo - SP, Marola Edições Musicais&lt;br /&gt;Todos os direitos reservados. Copyright Internacional Assegurado. Impresso no Brasil&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A melodia é de Sivuca e data de 1947. Sivuca a compôs aos 17 e usava sua valsa recém saída do forno para coroar as lindas princesas de seus sonhos com belas serenatas ao luar do Recife. O pião já não era seu brinquedo, seu bicho preferido tinha outro sexo e andava nua em seu país. Seu futuro parceiro, na época com 3 anos, ainda mal armava seu bodoque.&lt;br /&gt;E, por trinta anos, assim seguiu esta música, sem nome, servindo às serenatas de seu autor. Até que o dramaturgo Paulo Pontes, que estava organizando o repertório para uma apresentação de Elizeth Cardoso no Canecão, decidiu que ao show cairia bem uma parceria entre o já consagrado Chico Buarque e o Mestre Sivuca. Resolveu promover o encontro.&lt;br /&gt;Sivuca, pensando no vozeirão da Divina Elizeth, desenterrou sua valsa romântica. Mas Chico estava em outra. Estava mergulhado no universo infantil, havia acabado de fazer a versão para o português do musical italiano “Saltimbancos”. A “idade” da música também influiu, como explica o próprio compositor em entrevista a Geraldo Leite (Rádio Eldorado, 1989): “Cada música tem uma história. Eu tenho uma parceria com o Sivuca que é engraçada. Ele fez a música, que ficou se chamando João e Maria. Ele mandou uma fita com uma música que ele compôs em 1947, por aí. Eu falei: "Mas isso foi quando eu nasci." A música tinha a minha idade. Quando eu fui fazer, a letra me remeteu obrigatoriamente pra um tema infantil. A letra saiu com cara de música infantil porque, simplesmente, na fitinha ele dizia: "Fiz essa música em 47." Aí pensei: "Mas eu criança..." e me levou pra aquilo. Cada parceria é uma história. Cada parceiro é uma história."&lt;br /&gt;O nome da canção remete ao clássico conto de fadas dos irmãos Grimm, no qual duas crianças que se perdem na floresta por terem marcado o caminho com migalhas de pão e são capturadas pela bruxa malvada.&lt;br /&gt;A música que servira de base para as cantadas de Sivuca seguiu outro caminho, aderiu ao universo infantil e acabou por abrigar uma conversa de crianças.&lt;br /&gt;A canção não integrou o repertório de show de Elizeth. Não tinha mais cabimento. A primazia da primeira gravação coube a Nara Leão, princesa linda de se admirar, em dueto com o próprio Chico, arranjos de Sivuca, João Donato no teclado, Luizão Maia, contrabaixo, Meireles, flauta, o mesmo Sivuca no violão e na sanfona, e Paulinho Braga, bateria. A música estourou com a participação na trilha sonora da novela Dancin`Days e, até hoje, não pode faltar nos shows de Chico Buarque.&lt;br /&gt;Agora, era fatal que o faz-de-conta terminasse assim. Em 14 de dezembro de 2006, Sivuca sumiu do mundo sem nos avisar. A música brasileira perdeu um Mestre. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pra lá deste quintal, com a abertura política, finalmente, a noite teria um fim. Chico Buarque, crítico mordaz da ditadura militar, agora era o herói.&lt;br /&gt;Quanto ao cavalo que fala inglês, consta que o próprio Chico nunca soube muito bem o que ele mesmo quis dizer. De acordo com o amigo e parceiro Francis Hime, deve ser “um cavalo muito educado."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fontes.:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-Humberto Werneck, Gol de letras, em Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989&lt;br /&gt;- Livro 85 anos de Música Brasileira Vol. 2, 1ª edição, 1997, editora 34&lt;br /&gt;- http://www.gafieiras.com.br/Display.php?Area=Entrevistas&amp;amp;SubArea=EntrevistasPartes&amp;amp;ID=29&amp;amp;IDArtista=28&amp;amp;css=1&amp;amp;ParteNo=14&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-7343896399905139695?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/7343896399905139695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=7343896399905139695&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/7343896399905139695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/7343896399905139695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2008/11/joo-e-maria.html' title='João e Maria'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/SRy2jFXsbSI/AAAAAAAAA5g/ltPOna186Pc/s72-c/jo%C3%A3o+e+maria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-2574799794945368970</id><published>2008-07-03T18:08:00.009-03:00</published><updated>2010-04-09T14:19:58.679-03:00</updated><title type='text'>Não Quero Mais Amar a Ninguém</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Não quero mais&lt;br /&gt;Amar a ninguém&lt;br /&gt;Não fui feliz&lt;br /&gt;O destino não quis&lt;br /&gt;O meu primeiro amor&lt;br /&gt;Morreu como a flor&lt;br /&gt;Ainda em botão&lt;br /&gt;Deixando espinhos&lt;br /&gt;Que dilaceram meu coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semente de amor&lt;br /&gt;Sei que sou desde nascença&lt;br /&gt;Mas sem ter vida e fulgor&lt;br /&gt;Eis minha sentença&lt;br /&gt;Tentei pela primeira vez um sonho vibrar&lt;br /&gt;Foi beijo que nasceu&lt;br /&gt;E morreu sem se chegar a dar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes dou gargalhada&lt;br /&gt;Ao lembrar do passado&lt;br /&gt;Nunca pensei em amor, nunca amei nem fui amado&lt;br /&gt;Se julgas que estou mentindo jurar sou capaz&lt;br /&gt;Foi simples sonho que passou e nada mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos idos de 1937, quando foi composto este samba, os morros cariocas viviam um período especial. Em que pesem as dificuldades que sempre caracterizaram a vida de seus moradores, o samba estava em alta e o ritmo ali criado e digerido começava a ser difundido pelo resto do País, invadindo as luxuosas noites do Cassino da Urca, com o Regional de Benedito Lacerda.&lt;br /&gt;O gênero ganhava certo glamour e os chamados "sambas de terreiro", hoje denominados “sambas de quadra”, se multiplicavam pelos morros. Eram compostos e mostrados às pastoras e instrumentistas de plantão para que eles os reproduzissem em futuras rodas. Não eram escritos, nem gravados, mas elaborados por seus autores, repassados aos sambistas e reproduzidos à exaustão, até que a letra fosse memorizada pelas pastoras.&lt;br /&gt;Nesse processo minemônico, era natural que alguns versos sofressem pequenas alterações, na base do quem-conta-um-conto-aumenta-um-ponto.&lt;br /&gt;Apesar de ter levado seus estudos apenas até a quarta série, a qualidade das letras de Cartola é reconhecida por todos os críticos e aficcionados por música brasileira.&lt;br /&gt;Se bem que, no Brasil, em 1937, estudar até a quarta série era quase um sinal de erudição, pois boa parte da população não era, sequer, alfabetizada.&lt;br /&gt;Com seus versos refinados, seria natural que "Não Quero Mais Amar a Ninguém" não escapasse de pequenos reparos que facilitassem sua compreensão pelo grande público. Convenhamos que expessões como “deixando espinhos que dilaceram meu coração” não deveriam ser das mais usuais no Morro de Mangueira.&lt;br /&gt;Pois qual não foi a surpresa de Cartola, ao retornar ao terreiro da Escola para conferir seu samba, ouvi-lo ligeiramente modificado na bela voz aguda das pastoras, que, com a cabeça nas luxuosas noites do Cassino da Urca, entoavam apaixonadas: "...Deixando espinhos, Benedito Lacerda do meu coração".&lt;br /&gt;Dilacerado ficou o samba de Cartola.&lt;br /&gt;PS.: Este samba foi gravado, ainda em 1937, por Aracy de Almeida, na Victor, e tirou o primeiro lugar entre os sambas-enredo das escolas de samba daquele ano. Com a letra certa, é claro...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-2574799794945368970?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/2574799794945368970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=2574799794945368970&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/2574799794945368970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/2574799794945368970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2008/07/no-quero-mais-amara-ningum.html' title='Não Quero Mais Amar a Ninguém'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-923610442844988981</id><published>2008-06-11T18:00:00.004-03:00</published><updated>2008-06-11T18:47:41.426-03:00</updated><title type='text'>Voltei a Cantar</title><content type='html'>(Lamartine Babo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Voltei a cantar&lt;br /&gt;porque senti saudade&lt;br /&gt;do tempo em que eu andava pela cidade&lt;br /&gt;Com sustenidos e bemóis&lt;br /&gt;Desenhados na minha voz&lt;br /&gt;E a saudade rola, rola&lt;br /&gt;Como um disco de vitrola&lt;br /&gt;Começo a recordar&lt;br /&gt;Cantando em tom maior&lt;br /&gt;E acabo no tom menor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei a cantar&lt;br /&gt;porque senti saudade&lt;br /&gt;do tempo em que eu andava na cidade&lt;br /&gt;Com sustenidos e bemois&lt;br /&gt;Desenhados na minha voz&lt;br /&gt;Ó meu samba, velho amigo&lt;br /&gt;Novamente estou contigo&lt;br /&gt;Uma vida me transtorna&lt;br /&gt;Como um filho à casa torna&lt;br /&gt;De ti nunca me esqueci&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este samba de Lamartine Babo, que ganhou notoriedade na voz de Mário Reis, foi o escolhido por Chico Buarque para abrir seu show “Carioca”, depois de sete anos de recesso. No show “Paratodos”, o cantor já havia composto “De volta ao Samba” com o mesmo fim: desculpar-se com seus fãs por tão longa ausência.&lt;br /&gt;Desta vez, talvez por reconhecer a genealogia de seu canto, Chico Buarque tenha optado por retornar aos palcos homenageando Mário Reis e tomando emprestados os versos de Lamartine, carioca como ele e o nome de seu show.&lt;br /&gt;Mário Reis era dono de voz fina como a de Chico, descobridor de divisões inusitadas, mestre no uso do microfone e destoava dos cantores de vozeirão, predominantes nos anos 30 e 40. Foi um dos principais intérpretes da obra de Noel Rosa e - o que muitos não sabem - chegou a gravar, já em fim de carreira, "A Banda", de Chico Buarque.&lt;br /&gt;Além disso, Mário Reis era um bon vivant. Morou muitos anos no Copacabana Palace e privava da companhia dos mais ricos aristocratas cariocas. Talvez por isso, às vezes, sua carreira era negligenciada e Mário anunciava que iria encerrá-la. Depois mudava de idéia, retomando-a e redobrando o sucesso. Obviamente, foi numa dessa ocasiões, em 1939, que Lamartine Babo compôs “Voltei a Cantar” a pedido do amigo, para que este abrisse seu show de retorno “Jujoux e Balangandans”, no Theatro Municipal.&lt;br /&gt;Mas este texto presta-se menos para refletir sobre a música de abertura de “Carioca” e mais para anunciar a retomada do blog.&lt;br /&gt;Dos nove meses que levaram à gestação deste texto, os últimos três foram gastos pensando na desculpa que daria aos meus leitores, que já somam mais de três, de acordo com levantamentos de copos seriíssimos por mim efetuados ao longo deste período.&lt;br /&gt;A verdade irrefutável é que fui acometido de uma súbita e alongada preguiça macunaímica de escrever. Mas não pensem vocês que adquiri vergonha na cara. Isso jamais!&lt;br /&gt;Portanto, podem voltar a passar por aqui de vez em quando, que devem pintar algumas novidades. Me aguardem.&lt;br /&gt;Voltei a cantar porque senti saudade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-923610442844988981?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/923610442844988981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=923610442844988981&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/923610442844988981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/923610442844988981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2008/06/voltei-cantar.html' title='Voltei a Cantar'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-1193338795082800890</id><published>2007-09-01T03:03:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T22:00:29.776-03:00</updated><title type='text'>Ronda</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(Paulo Vanzolini)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:130%;" &gt;De noite eu rondo a cidade&lt;br /&gt;A lhe procurar sem encontrar&lt;br /&gt;No meio de olhares espio nas mesas dos bares&lt;br /&gt;Você não está&lt;br /&gt;Volto pra casa abatida&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:130%;" &gt;Desenganada da vida&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RtkI7keN2yI/AAAAAAAAAC0/7O7EThR72zY/s1600-h/Paulo_Emilio_Vanzolini_-_Zoologo__03.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105121472096885538" style="FLOAT: right; MARGIN: 0pt 0pt 10px 10px; CURSOR: pointer" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RtkI7keN2yI/AAAAAAAAAC0/7O7EThR72zY/s320/Paulo_Emilio_Vanzolini_-_Zoologo__03.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:130%;" &gt;No sonho eu vou descansar&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:130%;" &gt;Nele você está&lt;br /&gt;Ai se eu tivesse quem bem me quisesse&lt;br /&gt;Esse alguém me diria&lt;br /&gt;Desiste, essa busca é inútil&lt;br /&gt;Eu não desistia&lt;br /&gt;Porém com perfeita paciência&lt;br /&gt;Sigo a procurar&lt;br /&gt;Hei de encontrar&lt;br /&gt;Bebendo com outras mulheres&lt;br /&gt;Rolando um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;dadinho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Jogando bilhar&lt;br /&gt;E nesse dia então&lt;br /&gt;Vai dar na primeira edição&lt;br /&gt;Cena de sangue num bar da avenida São João.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:130%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Paulo Emílio &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Vanzolini&lt;/span&gt; é &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;diretor&lt;/span&gt; do Museu de Zoologia da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;USP&lt;/span&gt; e uma das maiores autoridades em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;herptologia&lt;/span&gt; do mundo. Pra quem não sabe, como eu não sabia até ontem, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;herptologia&lt;/span&gt; é a área da biologia destinada ao estudo de cobras e lagartos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Talvez, por isso, ao se dedicar a compor nas rodas da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;boemia&lt;/span&gt;, Paulo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Vanzolini&lt;/span&gt; destilou seu veneno em pérolas da música popular brasileira. Se a maior parte de seu repertório, assim como seus estudos em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;herptologia&lt;/span&gt;, é desconhecida do grande público, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ronda&lt;/span&gt; e &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Volta por Cima&lt;/span&gt; encontram-se entre as canções mais executadas do Brasil, rendendo alguns &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;níqueis&lt;/span&gt; ao compositor, que, com o dinheiro recebido dos direitos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;autorais&lt;/span&gt; dessas canções, montou uma das maiores bibliotecas da América Latina na área de répteis e anfíbios.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Apesar do sucesso, o compositor não se cansa de soltar cobras e lagartos sobre &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ronda&lt;/span&gt;, sua música mais famosa. Considera a canção “piegas”, uma “bobagem que fez aos 21 anos", quando estava no Exército e fazia ronda no baixo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;meretrício&lt;/span&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:130%;" &gt;A coisa mais engraçada é que o povo acha que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ronda&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:130%;" &gt; é um hino a São Paulo, mas na verdade ela é sobre uma mulher da vida (risos). Naquela época, servindo o Exército, eu patrulhava o baixo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;meretrício&lt;/span&gt;. Uma noite, na saída, eu estava tomando um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;chope&lt;/span&gt; ali pela avenida São João, quando vi uma mulher abrindo a porta do bar e olhando para dentro. Imaginei que ela estava procurando o namorado. Ele pensava que era para fazer as pazes, mas o que ela queria era passar fogo nele (risos).”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Claro que o dinheiro referente aos direitos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;autorais&lt;/span&gt; de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ronda &lt;/span&gt;não vem das grandes gravadoras, nem, tampouco, das rádios comerciais, mas dos pedidos feitos em guardanapos molhados de lágrimas nos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;botecos&lt;/span&gt;, em que o título da canção é, muitas vezes, confundido com o da moto japonesa: “Toca&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Honda&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;”, pedem os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;boêmios&lt;/span&gt; de cotovelos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;doloridos&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O compositor se diverte com o feito: “Claro que eu recebo o dinheiro que entra de bom coração. (...) Japonesa fica com dor de corno e vai ao &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;karaokê&lt;/span&gt; cantar &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ronda&lt;/span&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ronda&lt;/span&gt; foi feita em 1945, mas foi gravada, somente, em 1953. Segundo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Vanzolini&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Inezita&lt;/span&gt; Barroso, muito amiga de sua mulher, foi para o Rio de Janeiro gravar &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;A Moda da Pinga&lt;/span&gt;. A gravação seria num sábado à tarde e o casal foi junto para fazer companhia. Chegando lá, perguntaram a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Inezita&lt;/span&gt; que música seria gravada no lado B do disco. O verso de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;A Moda da Pinga &lt;/span&gt;deve ter-lhe subido à cabeça: “A &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;marvada&lt;/span&gt; pinga é que me &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;atrapaia&lt;/span&gt;...”. Tremenda dor de cabeça. Àquela altura do campeonato, em pleno sábado, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Inezita&lt;/span&gt; podia ser, como é, ainda hoje, conhecedora de um vasto repertório, mas onde conseguiria a autorização do autor? Foi por isso que gravou Ronda. E, de acordo com o autor, ainda errou a letra na gravação. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;ela&lt;/span&gt;, a história não foi bem assim: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:130%;" &gt;“&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Eu fui pro Rio gravar &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;A Moda da Pinga&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt; Gostaram muito, e 'do outro lado o quê?' O Paulo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Vanzolini&lt;/span&gt; estava comigo no Rio, tinha ido fazer um trabalho de zoologia, nós éramos muito amigos e ele foi pro estúdio comigo. Aí ele olhou assim meio pedindo e eu falei: 'Tá bom, do outro lado vai &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;Ronda,&lt;/span&gt; &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;do Paulo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Vanzolini&lt;/span&gt;'. Aí me perguntaram: 'O que é isso?' Falei: 'É um samba &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;paulista&lt;/span&gt;'. Pra que eu falei isso. 'Samba &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;paulista&lt;/span&gt;, São Paulo não tem samba'. Aí o Canhoto, que era o dono do regional que acompanhava, disse: 'Canta aí pra eu ouvir'. Aí eu cantei &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;Ronda&lt;/span&gt; &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;e foi aquele sucesso."&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A letra que &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"  style="font-size:130%;"&gt;Inezita&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; cantou e que encabeça esta publicação é um pouco diferente daquela eternizada pelas cantoras &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"  style="font-size:130%;"&gt;Márcia&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;, Maria &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"  style="font-size:130%;"&gt;Bethânia&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; e pelas japonesas com dor de corno que, há mais de cinquenta anos, invadem os &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"  style="font-size:130%;"&gt;Karaokês&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; e alimentam os répteis e anfíbios da biblioteca de &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"  style="font-size:130%;"&gt;Vanzolini&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:times new roman;" align="justify" &gt;&lt;span style="FONT-STYLE: normal;font-size:78%;" &gt;&lt;span style="COLOR: rgb(0,0,0)"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.sescsp.com.br/sesc/hotsites/mpb4/07_inezita.htm"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: normal"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(0,0,0)"&gt;http://www.sescsp.com.br/sesc/hotsites/mpb4/07_inezita.htm - programa Ensaio, da TV Cultura, em 1998, aos 73 anos de idade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(0,0,0);font-size:78%;" &gt;http://cliquemusic.uol.com.br/br/Servicos/ParaImprimir.asp?Nu_Materia=1490&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-1193338795082800890?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/1193338795082800890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=1193338795082800890&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/1193338795082800890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/1193338795082800890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/09/ronda.html' title='Ronda'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RtkI7keN2yI/AAAAAAAAAC0/7O7EThR72zY/s72-c/Paulo_Emilio_Vanzolini_-_Zoologo__03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-3127943972428917626</id><published>2007-08-03T04:13:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T22:00:30.019-03:00</updated><title type='text'>Garota de Ipanema</title><content type='html'>(Antonio Carlos Jobim/Vinícius de Moraes)&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Olha que coisa mais linda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Mais cheia de graça&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;É ela menina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Que vem e que passa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Num doce balanço, a caminho do mar&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RrLYbsjmMfI/AAAAAAAAACM/1jftQw6wjdU/s1600-h/00023yp5.jpeg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094372098837983730" style="FLOAT: right; MARGIN: 0pt 0pt 10px 10px; CURSOR: pointer" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RrLYbsjmMfI/AAAAAAAAACM/1jftQw6wjdU/s320/00023yp5.jpeg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Moça do corpo dourado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Do sol de Ipanema&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O seu balançado é mais que um poema&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;É a coisa mais linda que eu já vi passar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ah, porque estou tão sozinho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ah, porque tudo é tão triste&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ah, a beleza que existe&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;A beleza que não é só minha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Que também passa sozinha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ah, se ela soubesse&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Que quando ela passa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O mundo sorrindo se enche de graça&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;E fica mais lindo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Por causa do amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Patagônia a Vladivostok, todos conhecem “The Girl from Ipanema”. Que a nossa garota é das mais rodadas, ou melhor, das mais executadas do mundo, também não é novidade para quem vive entre o Oiapoque e o Chuí. Da Penha a Jacarepaguá, da mesma maneira, todos sabem que Tom Jobim e Vinícius de Moraes compuseram esta obra-prima num bar, em homenagem a Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto, ou simplesmente Helô Pinheiro.&lt;br /&gt;Antes da visão inspiradora, porém, a música de Tom chegou a receber outra letra de Vinícius, que nenhum dos dois gostou muito. A música se chamaria “Caminho do Mar” e teria a seguinte letra:&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;“Vinha cansado de tudo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;De tantos caminhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Tão sem poesia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Tão sem passarinhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Com medo da vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Com medo de amar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Quando na tarde vazia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Tão linda no espaço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Eu vi a menina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Que vinha num passo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Cheio de balanço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Caminho do mar”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Caminho do Mar” foi feita para um musical de Tom e Vinícius chamado “Blimp!”, que não chegou a ser encenado. Na peça, os atributos da garota seduziriam um extraterrestre que pousava de disco voador na praia de Ipanema.&lt;br /&gt;Eis que numa bela tarde de 1962, em Ipanema, no Bar Veloso, hoje "Bar Garota de Ipanema”, na esquina da Rua Prudente de Morais com a Rua Montenegro, hoje Rua Vinícius de Moraes, o poeta que viria a dar o nome à rua e seu parceiro, entre uma e outra cervejinha, inspirarados no corpo dourado moradora do número 22 da mesma Rua Montenegro, que passava caminho do mar, resolveram mudar a letra e o nome da música, para dar mais ênfase à Garota que ao Caminho.&lt;br /&gt;Somente dois anos e meio depois, quando “Garota de Ipanema” já era “The Girl from Ipanema”, conhecida em todo o mundo na voz de Astrud Gilberto e no violão de seu marido João, com o auxílio luxuoso do sax de Stan Getz, a garota descobriu que era "a Garota" e retribuiu a gentileza convidando Tom e sua mulher, Thereza, para serem padrinhos de seu casamento.&lt;br /&gt;Esta, pelo menos, é a versão oficial, questionada pelo jornalista, pesquisador e crítico musical João Máximo, em um artigo escrito para o jornal “O Globo”, intitulado “Um clássico rico também em boas histórias”.&lt;br /&gt;O jornalista baseia sua versão numa suposta incongruência de datas: &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;“O samba foi escrito em meados de 1962. E a divulgação do nome da musa aconteceu três anos depois. Quem na época trabalhava na revista ‘Fatos &amp;amp; Fotos’ sabe: o então misto de letrista e repórter Ronaldo Bôscoli, que há muito tempo andava de olho em Heloísa Eneida, vendeu o furo de reportagem ao editor e partiu com o fotógrafo Hélio Santos para mostrar ao mundo a verdadeira Garota de Ipanema. A reportagem foi um sucesso. E promoveu de tal forma o samba que Tom e Vinicius teriam achado melhor assumir que aquela era mesmo sua musa.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E Vinícius o fez por meio de um texto chamado “A verdadeira Garota de Ipanema”, onde exalta as virtudes da Garota e de Jobim, comparando-o a Einstein. (Leia o texto de Vinícius no comentário a esta postagem).&lt;br /&gt;Se João Máximo está certo em suas afirmações não se pode garantir, mas “Garota de Ipanema” é, de fato, como ele atesta no título de seu artigo, um clássico rico também em boas histórias.&lt;br /&gt;Nos anos 60, Blota Jr. e sua mulher, Sonia Ribeiro, comandavam, na TV Record, o programa “Esta Noite se Improvisa”, em que os concorrentes testavam seus conhecimentos musicais . O apresentador dizia uma palavra e o concorrente que primeiro apertasse o botão colocado à sua frente, dirigia-se ao microfone e cantava uma música, que, obviamente, contivesse a tal palavra.&lt;br /&gt;Os grandes nomes da MPB participavam do programa. Consta que Caetano Veloso era imbatível, seguido de perto por Chico Buarque, que, quando não se lembrava de nenhuma música, não se fazia de rogado e compunha uma na hora, citando, ou inventando, o nome do compositor e a data em que foi feita.&lt;br /&gt;Um dos piores era Vinícius. Não que lhe faltasse conhecimento ou cultura musical. Segundo o poeta, em sua família diziam que ele cantou antes de falar. O que lhe faltava, na verdade, era agilidade para apertar o botão.&lt;br /&gt;Certa noite, porém, Blota Jr. lançou seu bordão:&lt;br /&gt;- A palavra é... “garota”.&lt;br /&gt;Mais que depressa, com agilidade do menino criado na Ilha do Governador, Vinícius premiu o botão e, já aprumado no microfone, pôs-se a cantar, cheio de graça, “Garota de Ipanema”.&lt;br /&gt;Mas cheia de graça, em sua música, quem passa é a menina. Na letra não tem “garota”.&lt;br /&gt;E o poeta, sem graça, voltou ao seu posto, lembrando a garota que vira passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fontes:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/asp0708200292.htm&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.garotadeipanema.com.br/historia_e_fotos_garota_de_ipanema.htm&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.jobim.com.br/&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.viniciusdemoraes.com.br/&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Humberto Werneck, Gol de letras, em Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-3127943972428917626?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/3127943972428917626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=3127943972428917626&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/3127943972428917626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/3127943972428917626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/08/garota-de-ipanema.html' title='Garota de Ipanema'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RrLYbsjmMfI/AAAAAAAAACM/1jftQw6wjdU/s72-c/00023yp5.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-8248716091061099826</id><published>2007-07-04T02:35:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T22:00:30.122-03:00</updated><title type='text'>Boi Voador Não Pode</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Chico Buarque - &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Ruy&lt;/span&gt; Guerra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;1972-1973&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para a peça &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Calabar&lt;/span&gt; de Chico Buarque e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Ruy&lt;/span&gt; Guerra &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Quem foi, quem foi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Que falou no boi voador&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Manda prender esse boi&lt;/span&gt; &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1QFMXEaXI/AAAAAAAAAA0/_bINCNZ5xQs/s1600-h/3384a.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083807604518709618" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 220px; CURSOR: hand; HEIGHT: 156px" height="208" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1QFMXEaXI/AAAAAAAAAA0/_bINCNZ5xQs/s320/3384a.jpg" width="320" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Seja esse boi o que for&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O boi ainda dá bode&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Qual é a do boi que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;revoa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Boi realmente não pode&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Voar à toa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;É fora, é fora, é fora&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;É fora da lei, é fora do ar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;É fora, é fora, é fora&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Segura esse boi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Proibido voar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;1972/1973 © &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;by&lt;/span&gt; Cara Nova Editora Musical &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Ltda&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt; &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1PssXEaWI/AAAAAAAAAAs/lCgS0w--nww/s1600-h/3384a.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nem que alguns senadores roguem aos céus, nem que a vaca tussa, boi não voa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Esta marcha carnavalesca, composta por Chico Buarque e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Ruy&lt;/span&gt; Guerra para a peça &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Calabar&lt;/span&gt;, tem servido de mote a vários protestos no Planalto Central contra os recentes escândalos envolvendo bois, vacas e outros ruminantes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A peça é ambientada no Nordeste brasileiro, em meados do séc. XVII, no período da ocupação holandesa . Seu nome completo, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Calabar&lt;/span&gt;, Elogio da Traição. Sua intenção, demonstrar que Domingos Fernandes &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Calabar&lt;/span&gt;, que abandonou as linhas portuguesas para aliar-se aos holandeses e, por isso, é tratado nos livros de história como grande traidor, na verdade, traíra, apenas, os interesses de Portugal, ao passo que os demais personagens traziam em seus ombros a culpa de alguma forma de traição, fosse de ordem conjugal, à sua raça, sua classe, ou ao Brasil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na realidade, as razões que levaram &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Calabar&lt;/span&gt; a fazer esta troca são desconhecidas, mas na peça, em sua opinião, o Brasil seria melhor se pudesse ser governado pela Holanda, ou melhor, pela Companhia das Índias Ocidentais, comandada por Maurício de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Nassau&lt;/span&gt;, uma empresa ao invés de um Império, que promoveria um tratamento mais humano aos negros, a pacificação do país, a liberdade de culto, o desenvolvimento urbano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Voltando à vaca fria, em uma das cenas, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Nassau&lt;/span&gt; promete fazer uma ponte ligando Recife à Cidade &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Maurícia&lt;/span&gt;, para celebrar a paz com Portugal, mas um de seus &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;aceclas&lt;/span&gt; o alerta de que o povo não tem “muita fé nessa ponte...&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Dizem&lt;/span&gt; que é mais fácil um boi voar...”, ao que o impávido colosso holandês responde: “Pois terão as duas coisas: a Ponte e o Boi! Viva Dom João Quarto, rei de Portugal!”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Depois, quando finalmente inaugura a ponte, o personagem de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Nassau&lt;/span&gt; cai no samba com o coro, entoando a marcha “Boi Voador não pode”, exibindo toda sua ginga holandesa e sua familiaridade com as coisas da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Terrinha&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A cena encontra &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;respaldo&lt;/span&gt; na história.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No dia 28 de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;fevereiro&lt;/span&gt; de 1644, um domingo, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Nassau&lt;/span&gt; marcou a inauguração da tal ponte – hoje, “Ponte Maurício de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Nassau&lt;/span&gt;” -, em comemoração à sua partida do Brasil. Para recuperar parte do dinheiro investido, haveria cobrança de ingressos e, para aumentar o público, o Conde holandês desafiou a gravidade e anunciou que faria “um boi voar” durante a inauguração.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E assim foi feito. Para o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;espetáculo&lt;/span&gt;, por ser manso e conhecido, foi escolhido o “boi do Melchior”, um animal de pêlo amarelado, famoso na cidade por entrar nas casas e subir as escadas. O bicho ficou ruminando o dia todo em frente ao Palácio do Governo. Ansioso, o povo vigiava incrédulo, pois sabia que se boi bravo não voava, o do Melchior não sairia do lugar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Enquanto isso, em manobra digna dos mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;astutos&lt;/span&gt; senadores brasileiros, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Nassau&lt;/span&gt; ordenou que se arranjasse um pedaço de couro, de tamanho e cor iguais ao do boi exposto no Palácio, que foi empalhado e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;inflado&lt;/span&gt; como um balão. Amarrado em cordas bem finas, invisíveis ao público que lotava a praia e os barcos, o “boi voador” foi preso por &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;roldanas&lt;/span&gt; e controlado por alguns marinheiros, que faziam o bovino fantasma dar piruetas em pleno ar, para delírio dos pagantes e de Maurício de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Nassau&lt;/span&gt;, que, com a venda de ingressos, recuperou boa parte do dinheiro investido na ponte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por causa disso, em Brasília, até hoje, ainda há quem acredite em obras &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;faraônicas&lt;/span&gt; e bois voadores. É verdade que eles custam muito mais caro que seus colegas terrestres. Mas boi voador não pode. É fora do ar. É fora da lei. Por isso, o povo canta:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;-“Manda prender esse boi, seja esse boi o que for!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fonte: GONÇALVES, Fernando &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;Antônio&lt;/span&gt;. O &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;Capibaribe&lt;/span&gt; e as pontes. Recife: &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;Comunigraf&lt;/span&gt;, 1997. 86p.&lt;br /&gt;BUARQUE, Chico e GUERRA, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;Ruy&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;Calabar&lt;/span&gt;: Elogio da Traição– 20 &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;ed&lt;/span&gt;. Com texto revisado e modificado pelos autores. Rio de Janeiro: &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;Civilação&lt;/span&gt; Brasileira, 1995.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-8248716091061099826?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/8248716091061099826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=8248716091061099826&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/8248716091061099826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/8248716091061099826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/07/boi-voador-no-pode.html' title='Boi Voador Não Pode'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1QFMXEaXI/AAAAAAAAAA0/_bINCNZ5xQs/s72-c/3384a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-68560593687796561</id><published>2007-06-20T20:02:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T22:00:30.858-03:00</updated><title type='text'>Torresmo à milanesa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RnoQdWkTxgI/AAAAAAAAAAM/hheSAge1ocw/s1600-h/1375103.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078389626273777154" style="FLOAT: right; MARGIN: 0pt 0pt 10px 10px; CURSOR: pointer" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RnoQdWkTxgI/AAAAAAAAAAM/hheSAge1ocw/s320/1375103.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Adoniran&lt;/span&gt; Barbosa e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Carlinhos&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Vergueiro&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O enxadão da obra&lt;br /&gt;Bateu onze horas&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Vamo&lt;/span&gt; se embora, João&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Vamo&lt;/span&gt; se embora, João&lt;br /&gt;Que é que você &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;troxe&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Na marmita, Dito?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Truxe&lt;/span&gt; ovo frito&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Truxe&lt;/span&gt; ovo frito&lt;br /&gt;E você, Beleza,&lt;br /&gt;o que é que você &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;troxe&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;Arroz com feijão&lt;br /&gt;E um torresmo à milanesa&lt;br /&gt;Da minha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Tereza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Vamos almoçá&lt;br /&gt;Sentados na calçada&lt;br /&gt;Conversarmos sobre isso e aquilo&lt;br /&gt;Coisas que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;nóis&lt;/span&gt; não entende nada&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Depois, puxa uma palha&lt;br /&gt;Andar um pouco&lt;br /&gt;Pra fazê o quilo&lt;br /&gt;É dureza, João...&lt;br /&gt;É dureza, João...&lt;br /&gt;O mestre &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;falô&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Que hoje não tem vale, não&lt;br /&gt;Ele se esqueceu&lt;br /&gt;Que lá em casa num só eu...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Sete da madruga e os caras já estão na labuta pesada, muitos tomando a primeira cachaça para afastar a fome e espantar os fantasmas da dura realidade. Às onze, a batida do enxadão anuncia a hora de conferir a marmita preparada na noite anterior pela mulher, que terá sua memória celebrada no sabor e na cor do feijão. Claro, se houver mulher, se houver feijão.&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Torresmo à Milanesa&lt;/em&gt;, entretidos com suas marmitas, os peões conversam acaloradamente sobre coisas que não entendem nada. O torresmo colocado na marmita de Dito, provável Benedito, evidencia mais um traço da cultura &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;nordestina&lt;/span&gt; que ajuda a construir São Paulo. O colega Beleza, por sua vez, deve ter recebido a alcunha em virtude de seus atributos físicos, ou à falta de virtude destes.&lt;br /&gt;Além de cantar São Paulo, assim como na maioria de suas composições, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Adoniran&lt;/span&gt; traz, em &lt;em&gt;Torresmo à Milanesa&lt;/em&gt;, uma das características mais marcantes de sua obra: rir da &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;própria&lt;/span&gt; desgraça, aproveitar a miséria para fazer humor.&lt;br /&gt;Em 1980, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Adoniran&lt;/span&gt; incluiria a canção em seu último disco, “&lt;em&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Adoniran&lt;/span&gt; Barbosa e Convidados&lt;/em&gt;”. A capa, a cargo de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Elifas&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Andreato&lt;/span&gt;, traria, inicialmente, o desenho de um palhaço triste. O pessoal da gravadora não gostou e convenceu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Elifas&lt;/span&gt; a refazê-la, sob o argumento de que talvez “&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Adoniran&lt;/span&gt; não entenderia esse negócio de palhaço”. O disco foi lançado com um belo retrato do&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RnoQnWkTxhI/AAAAAAAAAAU/zCierxcNxTU/s1600-h/exposicao2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078389798072469010" style="FLOAT: right; MARGIN: 0pt 0pt 10px 10px; WIDTH: 197px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 157px" height="169" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RnoQnWkTxhI/AAAAAAAAAAU/zCierxcNxTU/s320/exposicao2.jpg" width="211" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; compositor. O desenho do palhaço foi parar nas mãos de Fernando Faro, amigo de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Adoniran&lt;/span&gt; e produtor do LP. Ao se deparar com sua própria figura transformada num palhaço chorando, nas mãos do amigo, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Adoniran&lt;/span&gt; telefonou para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Elifas&lt;/span&gt;: “Sou esse palhaço triste aqui, não esse alemão que você colocou no disco!”.&lt;br /&gt;Torresmo à Milanesa foi feito pelo palhaço triste e não por qualquer outro &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Adoniran&lt;/span&gt; que vagasse pelas ruas de São Paulo. Este samba foi composto com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Carlinhos&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Vergueiro&lt;/span&gt;, em meia hora, de pé, sem instrumentos, no balcão do antigo bar "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Mutamba&lt;/span&gt;", na R. Major &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;Quedinho&lt;/span&gt;, lugar muito frequentado por artistas, jornalistas e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;boêmios&lt;/span&gt;, pois ficava ao lado da Rádio e do estúdio Eldorado.&lt;br /&gt;Chegando em casa, precavido, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;Carlinhos&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;Vergueiro&lt;/span&gt; registrou o samba numa fita e, algum tempo depois, levou-a à casa do novo parceiro para os ajustes finais. O principal ajuste foi na marmita do Beleza. Perguntado por Dito sobre o conteúdo de sua bóia, este responderia: “Arroz com feijão e um &lt;strong&gt;bife&lt;/strong&gt; à milanesa”.&lt;br /&gt;Nesse momento, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;Adoniran&lt;/span&gt; pediu ao parceiro:&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;Carlinhos&lt;/span&gt;, desculpe, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;vamo&lt;/span&gt; voltá a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;fitinha&lt;/span&gt;, canta &lt;strong&gt;torresmo&lt;/strong&gt; à milanesa....&lt;br /&gt;- Mas por que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;Adoniran&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;- Porque não existe.&lt;br /&gt;Este é o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;palhaço&lt;/span&gt;, que prefere o imaginário ao real. E assim, o verso ficaria “arroz com feijão e torresmo à milanesa”.&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;Carlinhos&lt;/span&gt; retomou o violão, voltou a fita e tornou a cantar o samba, para conferir se a nova letra funcionava.&lt;br /&gt;Mas parece que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;Adoniran&lt;/span&gt; queria que Beleza sentisse fome. Ao chegar naquele pedaço, ele interrompeu novamente o parceiro:&lt;br /&gt;- Desculpa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;Carlinhos&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;vamo&lt;/span&gt; voltá mais uma vez, canta só “&lt;strong&gt;um&lt;/strong&gt; torresmo”...&lt;br /&gt;- Mas por que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;Adoniran&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;- Porque é mais triste!...&lt;br /&gt;Por isso, os palhaços choram...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fontes:&lt;br /&gt;- http://vejasaopaulo.abril.com.br/entrevistas/m0117294.html&lt;br /&gt;- papo de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;buteco&lt;/span&gt; com o amigo Mário &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;Mammana&lt;/span&gt;, amigo de Fernando Faro, profundo conhecedor dos sambas e histórias de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;Adoniran,&lt;/span&gt; amante de cerveja e comedor torresmo, entre outras coisas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-68560593687796561?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/68560593687796561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=68560593687796561&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/68560593687796561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/68560593687796561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/06/torresmo-milanesa.html' title='Torresmo à milanesa'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RnoQdWkTxgI/AAAAAAAAAAM/hheSAge1ocw/s72-c/1375103.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-7744402011539361150</id><published>2007-05-24T17:28:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T22:00:31.088-03:00</updated><title type='text'>Chico Mineiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;(1946)&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Tonico&lt;/span&gt; e Francisco Ribeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cada vez que me "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;alembro&lt;/span&gt;" do amigo Chico Mineiro, das viagens que eu fazia era ele meu companheiro. Sinto uma tristeza, uma vontade de chorar, se "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;alembrando&lt;/span&gt;" daqueles tempos que não há mais de voltar. Apesar de ser patrão, eu tinha no coração o amigo Chico Mineiro, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;caboclo&lt;/span&gt; bom e decidido, na viola &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;delorido&lt;/span&gt; e era peão dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;boiadeiros&lt;/span&gt;. Hoje porém com tristeza recordando das proezas das viagens e motins, viajamos mais de dez anos, vendendo boiada e comprando, por esse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;rincão&lt;/span&gt; sem-fim.&lt;br /&gt;Mas porém, chegou o dia que o Chico apartou-se de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Fizemos&lt;/span&gt; a última viagem&lt;br /&gt;Foi lá pro sertão de Goiás.&lt;br /&gt;Foi eu e o Chico Mineiro&lt;br /&gt;também foi um capataz.&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Viajemo&lt;/span&gt; muitos dia&lt;br /&gt;pra chegar em Ouro Fino &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1SM8XEaYI/AAAAAAAAAA8/mVjMco_HhmY/s1600-h/h0182f2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083809936685951362" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="210" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1SM8XEaYI/AAAAAAAAAA8/mVjMco_HhmY/s320/h0182f2.jpg" width="190" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;aonde nós &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;passemo&lt;/span&gt; a noite&lt;br /&gt;numa festa do Divino.&lt;br /&gt;A festa estava tão boa&lt;br /&gt;mas antes não tivesse ido&lt;br /&gt;o Chico foi baleado&lt;br /&gt;por um homem desconhecido.&lt;br /&gt;Larguei de comprar boiada.&lt;br /&gt;Mataram meu companheiro.&lt;br /&gt;Acabou-se o som da viola,&lt;br /&gt;acabou-se o Chico Mineiro.&lt;br /&gt;Depois daquela tragédia&lt;br /&gt;fiquei mais aborrecido.&lt;br /&gt;Não sabia da nossa amizade&lt;br /&gt;porque nós dois era unido.&lt;br /&gt;Quando vi seus documento&lt;br /&gt;me cortou o coração&lt;br /&gt;de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;sabê&lt;/span&gt; que o Chico Mineiro&lt;br /&gt;era meu legítimo irmão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás de grandes canções, normalmente, há uma parceria. Mas por trás de uma parceria, sempre há uma grande amizade.&lt;br /&gt;Chico Buarque, que traz no rol de parceiros Tom &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Jobim&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Edu&lt;/span&gt; Lobo, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Toquinho&lt;/span&gt;, Francis &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Hime&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Vinícius&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Moraes&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Fagner&lt;/span&gt;, Ivan &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Lins&lt;/span&gt;, Milton Nascimento, Gilberto Gil e Caetano Veloso garante: são todos seus amigos. Se não fossem não seriam seus parceiros. Não dá para fazer uma canção em conjunto sem ter um certo grau de intimidade e afinidade com o parceiro.&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Vinícius&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Moraes&lt;/span&gt; exigia fidelidade matrimonial de seus parceiros, certamente, com mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;afinco&lt;/span&gt; do que o fazia em seus &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;matrimônios&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Os parceiros “Carlos”, Roberto e Erasmo, chegavam a compor juntos ou separadamente, sem abrir mão de registrar as canções como sendo de autoria da dupla.&lt;br /&gt;Por falar em dupla, no campo da música &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;sertaneja&lt;/span&gt;, a coisa é um pouco diferente. Não &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;existe&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Alvarenga&lt;/span&gt; sem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Ranchino&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Tião&lt;/span&gt; Carreiro sem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Pardinho&lt;/span&gt;, Milionário sem José Rico, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;Tinoco &lt;/span&gt;sem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;Tonico&lt;/span&gt;, mas, na maioria dos casos, apenas um lado da moeda se encarrega das composições, buscando parceria em outra freguesia.&lt;br /&gt;No caso de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;Tonico&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;Tinoco&lt;/span&gt;, por exemplo, é &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;Tonico&lt;/span&gt; que assina com outros parceiros a maioria das composições da dupla, que é uma das mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;longevas&lt;/span&gt; da música brasileira. Cantaram 50 anos juntos, de 1944 a 1994, quando &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;Tinoco&lt;/span&gt; fez sua última viagem para um sertão mais &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;longínquo&lt;/span&gt; que Goiás.&lt;br /&gt;A música que levou a dupla a alçar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;vôos&lt;/span&gt; mais altos foi Chico Mineiro, de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;Tonico&lt;/span&gt; e Francisco Ribeiro. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;Tonico&lt;/span&gt; ouvia, desde criança, seu pai contar a “lenda” do Chico Mineiro. Alguns dizem que o apelido de Chico mudava de acordo com o Estado onde a lenda era contada. Podia ser Chico Mineiro, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;Goiano&lt;/span&gt;, Paulista...&lt;br /&gt;No início da carreira, fizeram uma apresentação na Rádio &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;Tupi&lt;/span&gt; e, na saída, o porteiro, que havia ouvido o programa e era, provavelmente, oriundo de algum sertão do &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;Brasil&lt;/span&gt;, perguntou a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;Tonico&lt;/span&gt; se ele conhecia a história do Chico Mineiro. Os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;&lt;em&gt;causos&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; contados pelo pai se reacenderam na memória e, misturados ao som da viola, levaram-no a compor, sozinho, a canção.&lt;br /&gt;Um fato curioso é que, quando foram gravá-la, a gravadora informou aos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;sertanejos&lt;/span&gt; que este seria seu último disco, pois os ouvintes reclamavam que não entendiam a sua &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;pronúncia&lt;/span&gt; caipira do interior de &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;São&lt;/span&gt; Paulo.&lt;br /&gt;O leitor atento deve agora se perguntar: se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;Tonico&lt;/span&gt; compôs Chico Mineiro sozinho, quem é Francisco Ribeiro, que recebe em parceria os créditos da canção?&lt;br /&gt;Trata-se do porteiro da TV &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;Tupi&lt;/span&gt;, que fez com que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;o compositor &lt;/span&gt;se lembrasse da lenda do Chico Mineiro. Como prova de amizade e gratidão, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;Tonico&lt;/span&gt; deu-lhe a parceria.&lt;br /&gt;Afinal, parceiro não precisa nem ser parceiro, mas tem que ser amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fontes:&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;Ranato&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54"&gt;Vivacqua&lt;/span&gt; -Música Popular Brasileira - Cantos e Encantos&lt;br /&gt;http://www.widesoft.com.br/users/pcastro2/biograf.htm&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-7744402011539361150?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/7744402011539361150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=7744402011539361150&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/7744402011539361150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/7744402011539361150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/05/chico-mineiro.html' title='Chico Mineiro'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1SM8XEaYI/AAAAAAAAAA8/mVjMco_HhmY/s72-c/h0182f2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-8297887558562478423</id><published>2007-05-13T05:23:00.006-03:00</published><updated>2010-04-16T18:25:57.068-03:00</updated><title type='text'>As Vitrines</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Chico Buarque - 1982&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Eu te vejo sair por aí&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Te avisei que a cidade era um vão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;-Dá tua mão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;-Olha pra mim&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1TusXEaZI/AAAAAAAAABE/0LasGx5nyvY/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083811616018164114" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 223px; CURSOR: hand; HEIGHT: 233px" height="275" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1TusXEaZI/AAAAAAAAABE/0LasGx5nyvY/s320/untitled.bmp" width="254" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;-Não faz assim&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;-Não vai lá não&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Os letreiros a te colorir&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Embaraçam a minha visão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Eu te vi suspirar de aflição&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;E sair da sessão, frouxa de rir&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Já te vejo brincando, gostando de ser&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Tua sombra a se multiplicar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Nos teus olhos também posso ver&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;As &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;vitrines&lt;/span&gt; te vendo passar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Na galeria&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Cada clarão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;É como um dia depois de outro dia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Abrindo um salão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Passas em exposição&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Passas sem ver teu vigia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Catando a poesia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Que entornas no chão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;1981 © - &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Marola&lt;/span&gt; Edições Musicais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Ltda&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Todos os direitos reservados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Direitos de Execução Pública controlados pelo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;ECAD&lt;/span&gt; (AMAR) Internacional Copyright &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Secured&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;As &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5" style="FONT-STYLE: italic"&gt;Vitrines&lt;/span&gt; é a primeira faixa do LP Almanaque, de Chico Buarque.&lt;br /&gt;O &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;bolachão&lt;/span&gt; imita, em seu encarte, um almanaque de verdade, com o calendário de 1982 estampado de um lado, indicando o santo correspondente a cada dia do ano e, de outro, um horóscopo rodeado por pensamentos emoldurados, extraídos das letras das músicas do disco.&lt;br /&gt;Na parte interna, o anúncio: &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;“MAGAZINE &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;ANNUAL&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt; ILUSTRADO. &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Anecdotas&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;, Caricaturas, Informações, Charadas, etc.”&lt;/span&gt; Jogos, charadas e brincadeiras são assinados por Chico Buarque e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Elifas&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Andreato&lt;/span&gt;, este também responsável por criação, pesquisa, edição e artes da capa.&lt;br /&gt;Além da ficha técnica, várias ilustrações, fotos da gravação em estúdio imitando histórias em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;quadrinhos&lt;/span&gt;, brincadeiras e curiosidades:&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-size:130%;" &gt;10.09.82&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt; comemoração do segundo aniversário do monumental Centro &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_12" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Recreativo&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Vinícius&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt; de &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Moraes&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;. Como ponto máximo da festa, o sensacional embate entre o &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Politheama&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt; X Namorados da &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Noite&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;, que contarão com suas forças máximas”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para quem não sabe, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Politheama&lt;/span&gt; é o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;time&lt;/span&gt; do Chico, e Namorados da Noite, do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Toquinho&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Voltando ao encarte. Para cada música, há uma &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;brincadeira&lt;/span&gt; ou ilustração diferentes.&lt;br /&gt;Na canção&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt; Ela é Dançarina,&lt;/span&gt; por exemplo, que traz o subtítulo &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;eu quero dormir e ela precisa dançar&lt;/span&gt;, acima da letra, há um jogo de palavras cruzadas que traz, no esqueleto, as palavras “funcionário”, na vertical, e "dançarina", na horizontal.&lt;br /&gt;Na verdade, Adelaide, a mãe do Julinho, pseudônimo criado pelo autor para driblar a censura, já criava palavras cruzadas para o Jornal do Brasil.&lt;br /&gt;Fato é que não somente as cruzadas, mas os jogos com as palavras, em geral, sempre encantaram o compositor. Quando estava exilado em Roma, Chico Buarque tornou-se correspondente do Pasquim. Jaguar narra o episódio:&lt;br /&gt;“Quando Chico era nosso homem na Itália toda semana a gente publicava matéria dele. Era um correspondente aplicado. (...)&lt;br /&gt;Agora... Liguei para ele pedindo para escrever alguma coisa para o primeiro número do Pasquim paulista. "Minha agenda estourou. Tô enlouquecido, ensaiando o show com Bethânia para o dia 2 em Paris." "Pô, Chico, tremenda sacanagem nos deixar na mão!" "Fazer matéria nem pensar, mas se vocês quiserem um palíndromo..." Palíndromo, como talvez só o Houaiss saiba, é uma frase que significa literalmente o mesmo, seja lida de cá pra lá, como de lá pra cá, da direita para a esquerda. "Levei 5 horas fazendo", disse Chico. "Insônia." Era pegar ou largar. Peguei. (...).” (Jaguar).&lt;br /&gt;Eis o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;palíndromo&lt;/span&gt;: &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;“Até &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Reagan&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;sibarita&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt; tira bisnaga &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;ereta&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mas este texto se propunha, ou se propõe, a dizer algo sobre a canção &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;As &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44" style="FONT-STYLE: italic"&gt;Vitrines&lt;/span&gt;, esquecida lá no primeiro parágrafo.&lt;br /&gt;No encarte do disco &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Almanaque&lt;/span&gt;, a letra de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;As &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45" style="FONT-STYLE: italic"&gt;Vitrines&lt;/span&gt; aparece dividida em quatro quadrantes, espelhada, dando a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;idéia&lt;/span&gt; de que seu teor se reproduz, a exemplo da personagem da canção, com &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;“sua sombra a se multiplicar”&lt;/span&gt;, a iludir e encantar o leitor, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;admirador&lt;/span&gt;, ou poeta, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;“catando a poesia"&lt;/span&gt; que entorna no chão.&lt;br /&gt;No primeiro quadrante está a letra original. Abaixo, a mesma letra, de ponta cabeça.&lt;br /&gt;À direita, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;refletida&lt;/span&gt;, a letra segue seu caminho normal: &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;“Eu te vejo sair por aí/ Te avisei que a cidade era um vão/ Dá tua mão/ Olha pra mim/ Não faz assim/-Não vai lá não”. &lt;/span&gt;Na estrofe seguinte, quando o leitor desatento do Almanaque espera ler os versos que ouviu, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;“Os letreiros a te colorir”&lt;/span&gt;, o poeta &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;almanaqueiro&lt;/span&gt; surpreende e avisa:&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt; “Ler os letreiros aí troco”,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E passa, de fato, a trocar os versos originais por outros.&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;”&lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50" style="FONT-STYLE: italic"&gt;Embaçam&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt; a visão marinha/Vi tuas fúrias e &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51" style="FONT-STYLE: italic"&gt;predileção&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;/Errar sisuda, sã fora de eixos”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para quem elabora palavras cruzadas e faz &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;palíndromos&lt;/span&gt; nos momentos de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;insônia&lt;/span&gt;, bolar anagramas não é das tarefas mais difíceis. Anagramas são palavras diferentes que possuem as mesmas letras, como &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54" style="FONT-STYLE: italic"&gt;Iracema&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt; &lt;/span&gt;e &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;América.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A versão espelhada de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;“As &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_55" style="FONT-STYLE: italic"&gt;Vitrines&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;”&lt;/span&gt; é inteira composta com anagramas dos versos da letra original!&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;“Abrindo um salão”&lt;/span&gt; se transforma em &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;“um &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_56" style="FONT-STYLE: italic"&gt;absalão&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt; rindo”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Outra letra. As mesmas letras!&lt;br /&gt;Confira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;As &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_57"&gt;Vitrines////As Vitrines&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Eu te vejo sair por aí////Eu te vejo sair por aí&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Te avisei que a cidade era um vão//Te avisei que a cidade era um vão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;-Dá tua mão////-Dá tua mão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;-Olha pra mim////-Olha pra mim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;-Não faz assim////-Não faz assim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;-Não vai lá não////-Não vai lá não&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Os letreiros a te colorir///Ler os letreiros aí troco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Embaraçam a minha visão////&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_58"&gt;Embaçam&lt;/span&gt; a visão marinha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Eu te vi suspirar de aflição//Vi tuas fúrias e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_59"&gt;predileção&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;E sair da sessão, frouxa de rir//Errar sisuda, sã fora de eixos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Já te vejo brincando, gostando de ser//Doce vento, grandes beijos do jantar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Tua sombra a se multiplicar////Um militar saber tuas polcas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Nos teus olhos também posso ver//Bem postos meus versos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_60"&gt;antolhos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;As &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_61"&gt;vitrines&lt;/span&gt; te vendo passar////Patinavas, sorvetes, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_62"&gt;diners&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;a galeria////Na alegria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Cada clarão////A cara do clã&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;É como um dia depois de outro dia///Um doutor doido me cedia poesia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Abrindo um salão////Um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_63"&gt;absalão&lt;/span&gt; rindo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Passas em exposição//Pião, sexo, asa, espaço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Passas sem ver teu vigia//És &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_64"&gt;súpita&lt;/span&gt; virgem avessa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Catando a poesia////A &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_65"&gt;asteca&lt;/span&gt; do piano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:100%;"&gt;Que entornas no chão///Quão sonha no &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_66"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:100%;"&gt;center&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:78%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:78%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Fontes: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;- &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Entrevista de Julinho de Adelaide a Mário Prata no jornal Última Hora - 07 e 08/09/74&lt;br /&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255);font-family:verdana;" &gt;&lt;span style="COLOR: rgb(0,0,0)"&gt;Pasquim&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(0,0,0)"&gt; São Paulo Ano XVIII, número 13, a 10 de julho de 1986&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_66"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ffff00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Depois de escrever esta crônica, o autor também se tornou um adicto em palíndromos. Pura falta de inspiração. Ou insônia. Se o Jaguar quiser, é pegar ou largar:&lt;br /&gt;“Lá é retrô, fiel à lei forte real”&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;“Ata, berra, arrebata.”&lt;br /&gt;“A labareda Nader abala”&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ffff00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-8297887558562478423?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/8297887558562478423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=8297887558562478423&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/8297887558562478423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/8297887558562478423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/05/as-vitrines.html' title='As Vitrines'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1TusXEaZI/AAAAAAAAABE/0LasGx5nyvY/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-7702067337397780223</id><published>2007-05-03T23:19:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T22:00:31.837-03:00</updated><title type='text'>Meio-de-campo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gilberto Gil &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1WdcXEaaI/AAAAAAAAABM/ly2CEGdI8XU/s1600-h/afonsinho.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083814618200304034" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 130px; CURSOR: hand; HEIGHT: 217px" height="268" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1WdcXEaaI/AAAAAAAAABM/ly2CEGdI8XU/s320/afonsinho.bmp" width="166" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;1973&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Prezado amigo Afonsinho &lt;br /&gt;Eu continuo aqui mesmo&lt;br /&gt;Aperfeiçoando o imperfeito&lt;br /&gt;Dando um tempo, dando um jeito&lt;br /&gt;Desprezando a perfeição&lt;br /&gt;Que a perfeição é uma meta&lt;br /&gt;Defendida pelo goleiro&lt;br /&gt;Que joga na seleção&lt;br /&gt;E eu não sou Pelé nem nada&lt;br /&gt;Se muito for, eu sou um Tostão.&lt;br /&gt;Fazer um gol nessa partida não é fácil, meu irmão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre em aperfeiçoar o imperfeito, defensor da liberdade e proclamado inimigo da escravidão, Gilberto Gil prestou nesta canção justa homenagem ao ex-jogador Afonsinho.&lt;br /&gt;Desde de 2001, os jogadores profissionais de futebol não estão mais acorrentados aos seus clubes pela Lei do Passe e devem isso ao ex-meia do Botafogo e hoje médico, Afonso Celso Garcia Reis, o Afonsinho.&lt;br /&gt;Assim como Gil, Afonsinho tinha convicções libertárias e foi o primeiro jogador profissional a conseguir, na Justiça, o passe livre.&lt;br /&gt;É verdade que os jogadores não estão mais presos aos seus clubes, mas, em alguns casos, ainda são explorados por empresários gananciosos, mas o poeta alerta, era necessário desprezar a perfeição.&lt;br /&gt;Tudo começou no final dos anos sessenta, quando Afonsinho, dando um tempo do barbeiro, cultivou bela barba e cabelo, desprezando a perfeição estética adequada à conduta de bom moço e meio-campista, exigida pelo então treinador do Botafogo, Mário Jorge Lobo Zagallo.&lt;br /&gt;Que o Velho Lobo nunca foi Pelé nem nada não é novidade para ninguém, mas o fato é que o treinador proibiu a entrada de Afonsinho no clube, ou, pelo menos, de sua barba e vasta cabeleira.&lt;br /&gt;Acorrentado, ofendido em sua dignidade, Afonsinho conseguiu na Justiça o direito de manter a barba e continuar jogando futebol, obtendo o passe livre. Era o início do fim da escravidão no futebol.&lt;br /&gt;Hoje, com pouco cabelo, quase esquecido e ainda barbudo, Afonsinho pode se considerar um vitorioso em sua luta abolicionista, mas carrega a certeza de ter feito pelo futebol tanto quanto um Pelé ou um Tostão.&lt;br /&gt;Este foi, sem dúvida, o gol mais importante de sua carreira. E olha que fazer um gol nessa partida não é fácil, meu irmão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-7702067337397780223?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/7702067337397780223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=7702067337397780223&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/7702067337397780223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/7702067337397780223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/05/meio-de-campo.html' title='Meio-de-campo'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1WdcXEaaI/AAAAAAAAABM/ly2CEGdI8XU/s72-c/afonsinho.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-6757951597674378906</id><published>2007-04-23T18:44:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T22:00:31.970-03:00</updated><title type='text'>O Filho Que Eu Quero Ter</title><content type='html'>&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Toquinho&lt;/span&gt;/&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Vinícius&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Moraes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É comum a gente sonhar, eu sei&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando vem o entardecer&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Pois eu também dei de sonhar&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Um sonho lindo de morrer&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vejo um berço e nele eu me debruçar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com o pranto a me correr&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E assim, chorando, acalentar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O filho que eu quero ter&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dorme, meu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;pequenininho&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dorme que a noite já vem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Teu pai está muito sozinho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De tanto amor que ele tem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De repente o vejo se transformar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Num menino igual a mim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que vem correndo me beijar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando eu chegar lá de onde vim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um menino sempre a me perguntar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um porquê que não tem fim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um filho a quem só queira bem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E a quem só diga que sim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dorme, menino levado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dorme que a vida já vem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Teu pai está muito cansado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De tanta dor que ele tem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando a vida enfim me quiser levar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pelo tanto que me deu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sentir-lhe a barba me roçar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No derradeiro beijo seu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E ao sentir também sua mão vedar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu olhar dos olhos seus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ouvir-lhe a voz a me embalar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Num &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;acalanto&lt;/span&gt; de adeus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dorme, meu pai, sem cuidado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dorme que ao entardecer&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Teu filho sonha acordado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com o filho que ele quer ter &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;Pode até ser que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Toquinho&lt;/span&gt; tenha sido alertado pela célebre frase de Brás Cubas, personagem de Machado de Assis: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria".&lt;br /&gt;O fato, porém, é que não lhe deu ouvidos e, numa bela tarde, na praia de Boa Viagem, no Recife, contou a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Vinícius&lt;/span&gt; sobre seu desejo de ter um filho. Experiente no assunto, o poeta respondeu algo como “Vai nessa! Dá trabalho, mas é muito bom.”&lt;br /&gt;E &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Toquinho&lt;/span&gt; foi além. Mostrou-lhe uma melodia que havia composto inspirado naquele desejo, com uma levada típica de cantigas de ninar. Foi à praia e deixou o parceiro a embalar a música &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;recém&lt;/span&gt;-composta.&lt;br /&gt;Ao voltar, encontrou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Vinícius&lt;/span&gt; aos prantos, com a letra pronta.&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Toquinho&lt;/span&gt; costuma dizer que a vontade de ter filho era sua, mas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Vinícius&lt;/span&gt; fez a letra pensando muito mais em si. O homem encantado com o sonho de ter um filho, vê-lo crescer e, ao final, em seu leito de morte, ser por ele embalado com a mesma canção com que o fazia ninar, embevecido por vê-lo reproduzir seu sonho de também ter um filho. &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1byMXEaeI/AAAAAAAAABs/UmNUiqaEj2Q/s1600-h/cd_16_gran.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083820472240728546" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="163" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1byMXEaeI/AAAAAAAAABs/UmNUiqaEj2Q/s320/cd_16_gran.jpg" width="180" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A canção foi lançada por Chico Buarque, no disco Sinal Fechado, em 1974. No ano seguinte, os autores incluem a canção no disco &lt;em&gt;Vinicius de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Moraes&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Toquinho&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Philips&lt;/span&gt;, com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;direção&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;produção de&lt;/span&gt; Fernando Faro e capa do grande artista plástico e companheiro de futebol de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Toquinho&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Elifas&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Andreato&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Elifas&lt;/span&gt;, na época com aproximadamente 28 anos, não queria ter filhos, pois tinha alguns problemas de relacionamento com seu pai, mas confessa que esta canção mudou seu jeito de pensar.&lt;br /&gt;Dois anos depois, nasceu Bento e o novo pai coruja foi contar a novidade para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Vinícius&lt;/span&gt;, que respondeu apenas:&lt;br /&gt;- Que bom! Só assim você poderá entender seu pai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fonte: “Impressões”, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Elifas&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Andreato&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Ed&lt;/span&gt;. Globo&lt;br /&gt;CD &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Toquinho&lt;/span&gt; Exclusivo: Ensinando a Viver&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-6757951597674378906?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/6757951597674378906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=6757951597674378906&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/6757951597674378906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/6757951597674378906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/04/o-filho-que-eu-quero-ter.html' title='O Filho Que Eu Quero Ter'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1byMXEaeI/AAAAAAAAABs/UmNUiqaEj2Q/s72-c/cd_16_gran.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-5378885950926331568</id><published>2007-04-17T01:24:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T22:00:32.107-03:00</updated><title type='text'>Gota d'Água</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Chico Buarque/1975&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Já lhe dei meu corpo, minha alegria&lt;/span&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1c3cXEafI/AAAAAAAAAB0/MMFD3b6hJ3U/s1600-h/gotadagua.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083821661946669554" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="166" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1c3cXEafI/AAAAAAAAAB0/MMFD3b6hJ3U/s320/gotadagua.jpg" width="164" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Já estanquei meu sangue quando fervia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Olha a voz que me resta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Olha a veia que salta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Olha a gota que falta pro desfecho da festa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Por favor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Deixe em paz meu coração&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Que ele é um pote até aqui de mágoa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;E qualquer desatenção, faça não&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Pode ser a gota d'água&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;1975 © by Cara Nova Editora Musical Ltda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A canção foi escrita para a peça.&lt;br /&gt;A canção é só de Chico Buarque e a peça tem a co-autoria Paulo Pontes. Toda escrita em versos, o texto é uma adaptação da tragédia grega &lt;em&gt;Medéia&lt;/em&gt;, de Eurípedes.&lt;br /&gt;Inspirados numa idéia de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, os autores transportam a tragédia da Grécia para a Vila do Meio-Dia, conjunto habitacional de propriedade do onipotente Creonte, onde os mutuários quanto mais pagam, mais devem.&lt;br /&gt;Interpretada por Bibi Ferreira, à época mulher de Paulo Pontes, Joana, a nossa Medéia, é abandonada por Jasão, compositor do grande samba“Gota d'Água”, sucesso nacional.&lt;br /&gt;O samba de Jasão traduz o desamparo e o desespero da mulher abandonada:“Já lhe dei meu corpo, minha alegria”, (...) "olha a voz que me resta, olha a veia que salta”&lt;br /&gt;Famoso, o compositor resolve se casar com Alma, filha de Creonte: “e qualquer desatenção, faça não! Pode ser a gota d'água!”. A tragédia está anunciada.&lt;br /&gt;Para vingar-se, Joana compartilha com os filhos um bolo envenenado. Tragédia grega é assim, ainda que escrita na Tijuca.&lt;br /&gt;No prefácio da peça, os autores analisam as mazelas da política econômica do Brasil de meados dos anos 70. Não bastasse a repressão militar, a política econômica começava a dar os primeiros sinais de sua agonia. Contudo, os autores ressaltam a voz que lhes resta, graças a alguns intelectuais que se insurgiam contra aquela falaciosa verdade neo-liberal, como por exemplo, a veia que salta de Antonio Cândido e o jovem professor da USP Fernando Henrique Cardoso, a gota que falta e o desfecho da festa.&lt;br /&gt;Se Paulo Pontes fosse vivo, certamente os autores, hoje, editariam o prefácio, seguindo as orientações do ex-Presidente de que esquecessem o que ele ecreveu.&lt;br /&gt;Voltando à canção, ou à peça...&lt;br /&gt;Chico Buarque e Paulo Pontes foram contemplados com o Prêmio Molière. A cobertura da entrega seria feita em rede nacional pela TV Globo. Seria, porque houve cobertura, mas não houve entrega, pois os autores de recusaram a receber o prêmio.&lt;br /&gt;Em entrevista concedida a Antônio Chrysóstomo, da Revista Veja, em 28/10/1976, Chico Buarque expõe seu pote até aqui de mágoa:&lt;br /&gt;“CHICO — &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Muita gente disse: que atitude orgulhosa, antipática. Pois é, uma atitude antipática a gente tem de tomar de vez em quando. No caso, porque as pessoas se esqueceram de que, em 1975, quando "Gota d'Água" foi considerada a melhor peça, no mesmo ano, para citar só um caso, "Abajur Lilás", de Plínio Marcos, foi proibida. Neste mesmo ano, "Rasga Coração", de Oduvaldo Vianna Filho, teve abortada uma tentativa de encenação, também por ordem da Censura. Eu e Paulo Pontes conversamos e chegamos à conclusão de que seria pouco ético botar smoking e ir lá receber um prêmio que talvez nem fosse da gente. Se "Abajur Lilás" ou "Rasga Coração tivessem conseguido chegar ao público, portanto disputar aquele prêmio, será que nós teríamos sido os autores escolhidos? Por isso não fomos."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Isso foi o que ele disse ao repórter, mas poderia ter cantado:&lt;br /&gt;- "Deixa em paz meu coração..."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-5378885950926331568?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/5378885950926331568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=5378885950926331568&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/5378885950926331568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/5378885950926331568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/04/gota-dgua.html' title='Gota d&apos;Água'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1c3cXEafI/AAAAAAAAAB0/MMFD3b6hJ3U/s72-c/gotadagua.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-3762158758782712602</id><published>2007-04-05T16:15:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T22:00:32.261-03:00</updated><title type='text'>Tonga da Mironga do Cabuletê</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Toquinho e Vinicius de Moraes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Eu caio de bossa eu sou quem eu sou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Eu saio da fossa xingando em nagô&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Você que ouve e não fala / Você que olha e não vê&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Eu vou lhe dar uma pala / Você vai ter que aprender&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;A tonga da mironga do cabuletê&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;A tonga da mironga do cabuletê&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;A tonga da mironga do cabuletê&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Você que lê e não sabe / Você que reza e não crê&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Você que entra e não cabe / Você vai ter que viver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Na tonga da mironga do cabuletê&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Na tonga da mironga do cabuletê&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Na tonga da mironga do cabuletê&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Você que fuma e não traga / E que não paga pra ver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Vou lhe rogar uma praga / Eu vou é mandar você&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Pra tonga da mironga do cabuletê&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Pra tonga da mironga do cabuletê&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Pra tonga da mironga do cabuletê&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1970.&lt;br /&gt;Vinícius e Toquinho voltam da Itália onde haviam acabado de inaugurar a parceria com o disco “A Arca de Noé”, fruto de um velho livro que o poetinha fizera para seu filho Pedro, quando este ainda era menino.&lt;br /&gt;Encontram o Brasil em pleno “milagre econômico”. A censura em alta, a Bossa em baixa. Opositores ao regime pagando com a liberdade e a vida o preço de seus ideais. O poeta é visto como comunista pela cegueira militar e ultrapassado pela intelectualidade militante, que pejorativa e injustamente classifica sua música de easy music.&lt;br /&gt;No teatro Castro Alves, em Salvador, é apresentada ao Brasil a nova parceria.&lt;br /&gt;Vinícius está casado com a atriz baiana Gesse Gessy, uma das maiores paixões de sua vida, que o aproximaria do candomblé, apresentando-o à Mãe Menininha do Gantois. Sentindo a angústia do companheiro, Gesse o diverte, ensinando-lhe xingamentos em Nagô, entre eles “tonga da mironga do cabuletê”, que &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1fH8XEagI/AAAAAAAAAB8/EmMm9W8fuRU/s1600-h/milico.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083824144437766658" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 132px; CURSOR: hand; HEIGHT: 211px" height="297" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1fH8XEagI/AAAAAAAAAB8/EmMm9W8fuRU/s320/milico.jpg" width="155" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;significa “o pêlo do cu da mãe”.&lt;br /&gt;O mote anal e seu sentimento em relação aos homens de verde oliva inspiram o poeta. Com Toquinho, Vinícius compõe a canção para apresentá-la no Teatro Castro Alves.&lt;br /&gt;Era a oportunidade de xingar os militares sem que eles compreendessem a ofensa.&lt;br /&gt;E o poeta ainda se divertia com tudo isso: “Te garanto que na Escola Superior de Guerra não tem um milico que saiba falar nagô”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Fonte: Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão; uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-3762158758782712602?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/3762158758782712602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=3762158758782712602&amp;isPopup=true' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/3762158758782712602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/3762158758782712602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/04/tonga-da-mironga-do-cabulet.html' title='Tonga da Mironga do Cabuletê'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/Ro1fH8XEagI/AAAAAAAAAB8/EmMm9W8fuRU/s72-c/milico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-276181553343005420</id><published>2007-03-20T02:59:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T22:00:32.457-03:00</updated><title type='text'>Positivismo</title><content type='html'>(Noel Rosa/Orestes Barbosa)&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A verdade, meu amor, mora num poço&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RtkL4EeN2zI/AAAAAAAAAC8/Er4nK1wMKEI/s1600-h/Noel"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 207px; height: 216px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RtkL4EeN2zI/AAAAAAAAAC8/Er4nK1wMKEI/s320/Noel" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105124710502226738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É Pilatos, lá na Bíblia, quem nos diz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E também faleceu por ter pescoço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O (infeliz) autor da guilhotina de Paris&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vai, orgulhosa, querida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas aceita esta lição:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No câmbio incerto da vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A libra sempre é o coração&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O amor vem por princípio, a ordem por base,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O progresso é que deve vir por fim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Desprezaste esta lei de Augusto Comte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E foste ser feliz longe de mim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vai, coração que não vibra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com teu juro exorbitante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Transformar mais outra libra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Em dívida flutuante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A intriga nasce num café pequeno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que se toma para ver quem vai pagar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para não sentir mais o teu veneno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Foi que eu já resolvi me envenenar!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma parceria de dois dos maiores letristas da música brasileira. Noel era o aclamado Poeta da Vila, Filósofo do Samba. Orestes, autor do mais belo verso da língua portuguesa, segundo ninguém menos que Manoel Bandeira: “E tu pisavas nos astros distraída”, da canção “Chão de Estrelas”&lt;br /&gt;Eram amigos, boêmios e colegas de mesa no Café Nice, num tempo em que o Brasil abandonara – pelo menos na política – o café com leite e vivia os primeiros anos da Nova República Getulista.&lt;br /&gt;O Positivismo é uma corrente filosófica, que teve no francês Augusto Comte (1798 – 1857) seu principal idealizador e serviu de base para fundamentar a Proclamação da República.&lt;br /&gt;Seu lema: O Amor por princípio,a Ordem por base,o Progresso por fim.&lt;br /&gt;No lábaro estrelado que ostenta a Mãe Gentil, porém, o amor, primeira estrela do lema Comtiano, ficou de fora. Está lá, manca, a bandeira, a bradar insensível: “Ordem e Progresso”.&lt;br /&gt;A ausência do amor tocou fundo o coração de nossos poetas, que resolveram desfraldar o progresso enaltecido pelo positivismo, expondo nossa crescente dívida externa e seus juros exorbitantes.&lt;br /&gt;Mas se o amor ficou fora da bandeira, não poderia ser excluído da canção, também.&lt;br /&gt;Daí que, em Positivismo, as agruras da economia brasileira são comparadas às de uma mulher que, também se esquecendo do amor, desprezou a tal lei de Augusto Comte e foi curtir sua felicidade em outros ares, talvez com alguma ordem e, certamente, com muito progresso.&lt;br /&gt;Como disse acima, Noel e Orestes Barbosa eram colegas de mesa no Café Nice, boêmios e amigos, mas este samba quase pôs fim a esta amizade.&lt;br /&gt;Contam João Máximo e Carlos Didier, autores de “Noel Rosa, uma biografia”, que o autor de “Chão de Estrelas” entregou ao Poeta da Vila quatro estrofes para que este musicasse. Noel anotou a letra, caiu no mundo e não deu notícias. Continuou compondo seus sambas, aparecendo em programas de rádios e tomando todas no Café Nice, até que um dia chegou aos seus ouvidos que Orestes Barbosa estaria receoso que ele tivesse se “apossado” da letra.&lt;br /&gt;Se havia alguém que não precisava disso era Noel, que ficou magoado com as suspeitas do amigo e resolveu acrescentar mais uma estrofe: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“A intriga nasce num café pequeno/Que se toma para ver quem vai pagar/Para não sentir mais o teu veneno/Foi que eu já resolvi me envenenar”&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fonte: Noel Rosa, uma biografia. Brasília: UnB, 1990.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-276181553343005420?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/276181553343005420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=276181553343005420&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/276181553343005420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/276181553343005420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/03/positivismo.html' title='Positivismo'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RtkL4EeN2zI/AAAAAAAAAC8/Er4nK1wMKEI/s72-c/Noel' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-3900077211341793724</id><published>2007-03-13T00:36:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T22:00:32.469-03:00</updated><title type='text'>Fiz por você o que pude</title><content type='html'>(Cartola)&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Todo o tempo que eu viver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Só me fascina você, Mangueira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Guerreei na juventude&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fiz por você o que pude, Mangueira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Continuam nossas lutas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Podam-se os galhos, colhem-se as frutas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E outra vez se semeia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E no fim desse labor&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RtkN0UeN21I/AAAAAAAAADM/3dwae8a6gSg/s1600-h/%21cid_image001.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 229px; height: 156px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RtkN0UeN21I/AAAAAAAAADM/3dwae8a6gSg/s320/%21cid_image001.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105126845100972882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Surge outro compositor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com o mesmo sangue na veia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sonhava desde menino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tinha o desejo felino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;De contar toda a tua história&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Este sonho realizei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um dia a lira empunhei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E cantei todas tuas glórias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Perdoa-me a comparação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas fiz uma transfusão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eis que Jesus me 'premeia'&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Surge outro compositor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jovem de grande valor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com o mesmo sangue na veia."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um samba majestoso de Cartola.&lt;br /&gt;Fundador da Mangueira, Mestre Cartola, no alto de sua majestade, expõe, em "Fiz por você o que pude", duas de suas fraquezas: o amor pela Estação Primeira, de onde Cartola andara afastado por uns tempos, e sua preocupação em fazer um sucessor, em manter viva sua linhagem no samba. Tão nobre, tão popular.&lt;br /&gt;Esta canção teria sido dedicada a Nelson Sargento, filho adotivo de Alfredo Português, também fundador da Mangueira, pai e filho parceiros de Cartola.&lt;br /&gt;Com visão de um verdadeiro estrategista, Sua Majestade via em Sargento, potencial para se tornar seu príncipe herdeiro. Afinal, tinha lhe ensinado os primeiros acordes do violão, quando Sargento tinha 12 anos e ainda galgava as primeiras patentes.&lt;br /&gt;E o Mestre tinha razão. “Surge outro compositor com mesmo sangue na veia”. Anos depois, Neslon Sargento tranqüilizaria Cartola, ao proclamar que “o samba agoniza, mas não morre”.&lt;br /&gt;Quem contou a Nelson, porém, que "Fiz por você o que pude" era dedicada a ele foi Dona Zica, a Primeira Dama da Nação Verde e Rosa.&lt;br /&gt;Cartola já tinha partido, mas emocionado, em resposta, o aluno agradece o Mestre com um lindo samba, cuja letra reproduzo aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Que o amigo citou com o mesmo sangue na veia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Semente do mesmo galho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A prosseguir o trabalho que o próprio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vento semeia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oh! Mestre pode deixar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não vou lhe desapontar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jurarei perante a ti&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu guardarei com fervor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Conservarei com ardor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que contigo aprendi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esta Mangueira que amas de coração&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E canta com emoção&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Em também cantarei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quero conquistar-lhe novas glórias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E brasões&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E suas tradições&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu juro conservarei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Glorificando o labor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se eu for valor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ficarei na mesma teia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Prosseguirei trabalhando&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Colhendo sementes e plantando&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com o mesmo sangue na veia"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que há de mais curioso, contudo, em "Fiz por Você o que pude" não é isso, mas a evidência da humildade de Sua Majestade.&lt;br /&gt;Quando o samba foi lançado, alguns críticos, súditos infiéis, incomodados com as conquistas do samba de Cartola mundo afora, logo apontaram o dedo para um “erro” de português que saltava aos olhos: “Eis que Jesus me premeia”.&lt;br /&gt;É impressionante como algumas pessoas – e essa me parece uma característica típica dos críticos de arte – tem a capacidade de apontar a lua e só enxergar o próprio dedo.&lt;br /&gt;Pronto. Estava demonstrado que, apesar se sua aparente erudição, Mestre Cartola, por sua origem muito humilde e sua formação acadêmica frágil – estudou, apenas, até a quarta série do primário - não dominava os segredos da língua.&lt;br /&gt;E cá entre nós, “premeia” é jogo duro, mesmo.&lt;br /&gt;Ao ouvir as críticas, Sua Majestade ficou cabisbaixa e passou até a evitar de cantar o samba, mas entre amigos, confessou a razão de seu equívoco. No momento da composição, ficou em dúvida, mas leu, nos sermões de Padre Antônio Vieira: 'Assim castiga, ou premeia Deus'.&lt;br /&gt;De fato, Cartola, monarca do samba, poderia até ser acusado de plagiar Padre Vieira, mas não de ignorância. Afinal, em arte popular, a majestade também se faz na humildade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fonte: www.nelsonsargento.com.br&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-3900077211341793724?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/3900077211341793724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=3900077211341793724&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/3900077211341793724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/3900077211341793724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/03/fiz-por-voc-o-que-pude.html' title='Fiz por você o que pude'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_7QbtoOMKEQY/RtkN0UeN21I/AAAAAAAAADM/3dwae8a6gSg/s72-c/%21cid_image001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-2352965970847886621</id><published>2007-03-09T01:06:00.000-03:00</published><updated>2007-03-08T20:06:56.396-03:00</updated><title type='text'>Passaredo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;(Francis Hime/Chico Buarque)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ei, pintassilgo&lt;br /&gt;Oi, pintarroxo&lt;br /&gt;Melro, uirapuru&lt;br /&gt;Ai, chega-e-vira&lt;br /&gt;Engole-vento&lt;br /&gt;Saíra, inhambu&lt;br /&gt;Foge, asa-branca&lt;br /&gt;Vai, patativa&lt;br /&gt;Tordo, tuju, tuim&lt;br /&gt;Xô, tié-sangue&lt;br /&gt;Xô, tié-fogo&lt;br /&gt;Xô, rouxinol sem fim&lt;br /&gt;Some, coleiro&lt;br /&gt;Anda, trigueiro&lt;br /&gt;Te esconde, colibri&lt;br /&gt;Voa, macuco&lt;br /&gt;Voa, viúva&lt;br /&gt;Utiariti&lt;br /&gt;Bico calado&lt;br /&gt;Toma cuidado&lt;br /&gt;Que o homem vem aí&lt;br /&gt;O homem vem aí&lt;br /&gt;O homem vem aí&lt;br /&gt;Ei, quero-quero&lt;br /&gt;Oi, tico-tico&lt;br /&gt;Anum, pardal, chapim&lt;br /&gt;Xô, cotovia&lt;br /&gt;Xô, ave-fria&lt;br /&gt;Xô, pescador-martim&lt;br /&gt;Some, rolinha&lt;br /&gt;Anda, andorinha&lt;br /&gt;Te esconde, bem-te-vi&lt;br /&gt;Voa, bicudo&lt;br /&gt;Voa, sanhaço&lt;br /&gt;Vai, juriti&lt;br /&gt;Bico calado&lt;br /&gt;Muito cuidado&lt;br /&gt;Que o homem vem aí&lt;br /&gt;O homem vem aí&lt;br /&gt;O homem vem aí &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;Crêem os crédulos que por trás de toda letra de música existe uma história mirabolante, um grande amor, uma desilusão vivida pelo compositor, sendo incontáveis as lendas que surgem, neste sentido, na história da Música Popular Brasileira.&lt;br /&gt;Tal crendice, muitas vezes, toma proporções perigosas ou, no mínimo, indesejáveis ao compositor, que, por força de uma letra, vê seu nome em colunas sociais ou mesmo páginas policiais, que lhe atribuem intenções que não teve.&lt;br /&gt;Tomam por declarações pessoais letras que são meros frutos da criatividade do poeta, sem qualquer pretensão política, filosófica ou amorosa, como querem crer os crédulos. Foi assim que Chico Buarque namorou Rita, Carolina, Rosa, Cristina, entre tantas outras.&lt;br /&gt;Com "Passaredo" não foi diferente. Lá estava o poeta, enciclopédia à mão, caçando pássaros para compor a canção que lhe fora encomendada para integrar a trilha sonora do filme "A Noiva da Cidade", de Alex Viany. Depois, o "Passaredo" alçou vôos mais altos e emprestou seu canto à trilha do programa "Sítio do Pica-pau Amarelo", da TV Globo.&lt;br /&gt;Famintos por visibilidade, alguns urubus de plantão logo quiseram vincular Chico Buarque à tão nobre causa ecológica. Profundo conhecedor desta espécie de urubus, quando indagado se havia aderido a algum movimento ecológico, o compositor, irônico, foi categórico: "eu não entendo nada de bicho. Aliás, eu não gosto de bicho. Pra falar a verdade, eu detesto bicho".&lt;br /&gt;Como se vê, o urubu não foi um dos pássaros homenageados em "Passaredo" .&lt;br /&gt;Fonte: Humberto Werneck in Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-2352965970847886621?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/2352965970847886621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=2352965970847886621&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/2352965970847886621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/2352965970847886621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/03/passaredo.html' title='Passaredo'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5229672656772774719.post-2789196627687030007</id><published>2007-03-01T22:33:00.003-03:00</published><updated>2011-08-04T20:19:14.850-03:00</updated><title type='text'>E no entanto é preciso cantar</title><content type='html'>Em 2005, escrevi com o grande amigo, parceiro de trabalho, lamúrias e filosofias de botequim, Daniel Benevides, um texto para a revista Teoria e Debate sobre a música de protesto.&lt;br /&gt;O título foi "tirado" da "Marcha da Quarta-Feira de Cinzas", de Vinícius e Carlos Lyra, transcrita abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcha da Quarta-feira de Cinzas&lt;br /&gt;(Carlos Lyra e Vinícios de Moraes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou nosso carnaval, ninguém, ouve cantar canções&lt;br /&gt;Ninguém passa mais brincando feliz&lt;br /&gt;E nos corações saudades e cinzas foi o que restou&lt;br /&gt;Pelas ruas o que se vê é uma gente que nem se vê&lt;br /&gt;Que nem se sorri, se beija e se abraça&lt;br /&gt;E sai caminhando, dançando e cantando cantigas de amor&lt;br /&gt;E no entanto é preciso cantar&lt;br /&gt;Mais que nunca é preciso cantar&lt;br /&gt;É preciso cantar e alegrar a cidade&lt;br /&gt;A tristeza que a gente tem qualquer dia vai se acabar&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Todos vão sorrir, voltou a esperança&lt;br /&gt;É o povo que dança, contente da vida feliz a cantar&lt;br /&gt;Porque são tão tantas coisas azuis, há tão grandes promessas de luz&lt;br /&gt;Tanto amor para amar que a gente nem sabe&lt;br /&gt;Quem me dera viver pra ver e brincar outros carnavais&lt;br /&gt;Que marchas tão lindas&lt;br /&gt;E o povo cantando seu canto de paz &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;E no entanto é preciso cantar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Pini Nader e Daniel Benevides&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;“E muito mais é preciso não deixar&lt;br /&gt;Que amanhã por amor possas esquecer&lt;br /&gt;que quem manda na terra tudo quer&lt;br /&gt;e nem o que é teu bem vai querer dar&lt;br /&gt;por bem não vai não vai”&lt;br /&gt;Canção da Terra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Edu Lobo / Ruy Guerra) - 1964&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não dá para falar em música de protesto sem mencionar a bossa nova. Engana-se, contudo, quem pensa que a transição de seus “protestos de amor” para a canção engajada teve apenas motivações políticas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O apartamento de Nara Leão&amp;nbsp;vivia repleto de músicos: Ronaldo Bôscoli, Carlos Lyra, Roberto Menescal e, mais eventualmente, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto, que tinha dado o pontapé inicial de tudo isso com Chega de Saudade, em 1959.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo isso é paz, tudo isso traz uma calma de verão. Ou melhor, nem tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Carlos Lyra foi o que mais se destacou quando a bossa nova estourou. Por razões que não vêm ao caso, até porque incertas, Lyra rompeu com a turma, que passou a ter novo “líder”: o noivo da dona do apartamento, jornalista e, agora, ex-parceiro de Lyra, Ronaldo Bôscoli.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paralelamente ao namoro com Nara, Bôscoli sempre nutrira seus casos. Numa excursão à Argentina com Maysa, sucumbiu aos olhos de ressaca da cantora. Para ele, o romance acabaria no Galeão e assim seria se Maysa não tivesse, na chegada ao aeroporto, convocado uma coletiva para anunciar seu noivado com o jornalista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O apartamento de Nara rachou. Seu coração também. Agora ele não mais bateria a batida alienada da Bossa Nova, mas pulsaria no ritmo do samba de morro e outros ritmos mais afinados com outra realidade, bem mais distante da Avenida Atlântica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fechadas as feridas, Nara reaproximou-se de Carlos Lyra, "exilado” do apartamento e que, àquela altura dos acontecimentos, fazia shows no Centro Popular de Cultura (CPC) e já era parceiro de Vinicius de Moraes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amor, o sorriso e a flor se transformam depressa demais. Nara namorava, agora, o cineasta e compositor moçambicano Ruy Guerra, que também se encarregaria de promover seu engajamento político.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Curiosamente, a musa da bossa nova nunca tinha gravado um disco. Em 1963, Lyra e Vinicius convidam Nara a protagonizar a encenação da comédia musical que tinham acabado de fazer, Pobre Menina Rica. Nara faria o papel da própria. A peça contava a história do amor impossível entre o mendigo-poeta e a pobre menina rica. A beleza e o cunho sócio-político das composições eram inegáveis. A peça foi um fracasso estrondoso. A inexperiência de Nara nos palcos e sua timidez talvez tenham impedido que o espetáculo tivesse outra sorte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o tropeço não lhe abateu. Nara gravou, no mesmo ano, seu primeiro disco, com composições de sambistas do morro, mais especificamente, Zé Ketti, Cartola e Nelson Cavaquinho, e outros compositores ligados ao CPC/UNE, como Edu Lobo, Gianfrancesco Guarnieri, Ruy Guerra, além, claro, de Carlos Lyra e Vinicius. A roupagem ainda era de bossa nova, mas se até aqui era impossível ser feliz sozinho, a partir de agora era imprescindível que todos se unissem para denunciar as mazelas do povo brasileiro. Mais que nunca, era preciso cantar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O nacionalismo apregoado pelo CPC/UNE era cantado aos quatro cantos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A dissonância da bossa nova seria, agora, substituída por ritmos originalmente brasileiros, especialmente o samba e o baião. Era chegada a hora de mostrar ao mundo e à classe burguesa o morro e o sertão. O favelado e o sertanejo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Me pediram pra deixar de lado toda tristeza,&lt;br /&gt;Pra só trazer alegrias e não falar de pobreza.&lt;br /&gt;(...).&lt;br /&gt;Não separo dor de amor.&lt;br /&gt;Deixo claro que a firmeza do meu canto vem da certeza que tenho&lt;br /&gt;De que o poder que cresce sobre a pobreza e faz dos fracos riqueza&lt;br /&gt;Foi que me fez cantador.”&lt;/span&gt;Terra Plana (Geraldo Vandré) - 1968&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se até aqui a canção engajada visava à promoção de valores nacionais e à construção de uma sociedade igualitária, com o golpe de 1º de abril passou a ter de enfrentar um inimigo concreto, de carne, osso e farda verde-oliva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As entidades estudantis que até então promoviam a canção engajada passaram a ser controladas pelos militares ou, simplesmente, foram fechadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A surpreendente ausência de censura prévia nesse período possibilitava à esquerda continuar se valendo da música como palanque contra o regime militar, a desigualdade social, o capitalismo. A diferença é que agora o palco era palanque.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Iniciou-se, então, um circuito de shows freqüentados basicamente por estudantes, que acabou por consolidar esse gênero musical no mercado. Um dos primeiros desses shows, O Fino da Bossa, que estreara no Teatro Paramount de São Paulo, patrocinado pelo Centro Acadêmico XI de Agôsto, foi comprado pela TV Record e transformado num programa de auditório.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues, o programa é considerado o marco inicial da chamada Música Popular Brasileira. Ali, eram recebidos compositores e intérpretes, da nova e da velha geração, de forma a valorizar os ritmos nacionais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava preparado o terreno para a chamada Era dos Festivais, que duraria de 1965 e 1969.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O II Festival de Música Popular Brasileira, patrocinado pela TV Record, com final em 10 de outubro de 1966, ilustra muito bem o clima vivido na época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jair Rodrigues defendia, com o Trio Maraiá e o Trio Novo, a música Disparada, de Geraldo Vandré e Theo de Barros. A canção era a preferida dos militantes de esquerda, do movimento estudantil e de quem mais tivesse aprendido a dizer não e ver a morte sem chorar. Nara Leão e Chico Buarque concorriam com A Banda, composição deste último. Apesar da “gente sofrida” e do “cada qual no seu canto e em cada canto uma dor” e de todo o duplo sentido contido nessa frase, sob o ponto de vista do protesto, A Banda era tão tímida quanto seu autor. Chico Buarque era visto na época como um compositor talentoso, que lembrava em suas composições o genial e saudoso Noel Rosa, mas era bem-nascido demais, bom moço demais, bonito demais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Brasil se dividiu. Parecia que as duas músicas não poderiam coexistir. Era como se fossem duas maneiras antagônicas de enxergar o mundo, a de Chico e a de Vandré. O resultado do festival foi conciliador: as músicas dividiram o primeiro lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conta, porém, o produtor Zuza Homem de Mello que "uma das músicas ganhou da outra, não houve empate". O nome da vencedora ele não revela, fiel a um compromisso assumido naquela noite com diretor da Record, Paulo Machado de Carvalho Filho – mas tudo leva a crer que tenha sido A Banda. Chico Buarque, portanto, teria cedido o empate, recusando-se a ser o único vencedor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa divisão do público e o acirramento das posições somente se agravariam com o tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1968, no final da fase brasileira do III Festival Internacional da Canção, haveria uma reedição do “duelo” Chico Buarque x Geraldo Vandré, mas, dessa vez, os ânimos estariam muito mais acirrados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabiá (Tom Jobim / Chico Buarque), interpretada por Cynara e Cybele, recebeu, em pleno Maracanãzinho, o prêmio de vencedora e uma das maiores vaias da história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Geraldo Vandré, talvez por perceber que Sabiá era uma canção do exílio dos novos tempos, ainda que sem saber do exílio a que ele e muitos de seus companheiros seriam submetidos um ano depois, aceitou a derrota ao afirmar que “a vida não se resume a festivais”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, Vandré ironizava os que defendiam solução conciliadora. Em Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores (Geraldo Vandré), o recado é claro aos que fogem à responsabilidade de escrever a história com as próprias mãos: “Pelas ruas marchando indecisos cordões / Que ainda fazem da flor seu mais forte refrão / E acreditam nas flores vencendo o canhão /Vem vamos embora, que esperar não é saber / quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vandré pregava claramente a luta armada contra a ditadura, entoando sua. Cantiga Brava : “O terreiro lá de casa / Não se varre com vassoura / Varre com ponta de sabre / Bala de metralhadora”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, se os músicos engajados questionavam o estilo das canções de Chico Buarque, sua própria forma de engajamento passaria a ser questionada por alguns que, até então, engrossavam suas fileiras, como Caetano Veloso e Gilberto Gil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Um poeta desfolha a bandeira&lt;br /&gt;E a manhã tropical se inicia&lt;br /&gt;Resplandente, cadente, fagueira&lt;br /&gt;Num calor girassol com alegria&lt;br /&gt;Na geléia geral brasileira&lt;br /&gt;Que o Jornal do Brasil anuncia”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Geléia Geral (Gilberto Gil) - 1968&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No festival de 1967, Caetano Veloso ficaria em 4º lugar com a canção Alegria, Alegria, que desmistificava a necessidade de fazer a revolução ou uma canção de protesto para viver. A alusão a Para Não Dizer Que Não Falei das Flores, ou Caminhando, de Geraldo Vandré é evidente no início da música: “Caminhando contra o vento/Sem lenço, sem documento”. Era o protesto contra o protesto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gilberto Gil, acompanhado dos Mutantes e de suas guitarras elétricas, defendeu sua composição Domingo no Parque. Para Gil, vermelhos eram o sorvete e a rosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tratava-se do embrião do tropicalismo. No mesmo ano, Caetano recebe uma das maiores vaias de todos os tempos, ao cantar, no auditório do Tuca, a sua É Proibido Proibir, em que criticava ao mesmo tempo o regime militar e o patrulhamento ideológico de esquerda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vaiado, Caetano proferiu um discurso que entrou para a história no qual provocava seus detratores afirmando que se eles soubessem de política o mesmo que sabiam de estética, o país estava perdido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1968, Caetano e Gil, acompanhados dos Mutantes, de Tom Zé, Gal Costa e (olha ela aí outra vez) Nara Leão, lançam o disco manifesto Tropicália ou Panis et Circenses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A canção que dá nome ao disco aponta para a necessidade de criar um movimento que resgatasse o que o Brasil tinha produzido de melhor, mas apontasse para um cenário novo: “Eu organizo um movimento, / Eu oriento o carnaval / Eu inauguro um monumento no Palácio Central / Viva A Banda da da / Carmen Miranda da da da da”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo Caetano Veloso, em seu livro Verdades Tropicais, Geraldo Vandré teria chegado a tirar satisfações com ele, por causa da canção Baby, que seria uma canção alienada e contrária aos padrões nacionalistas, pois se utilizava, inclusive, de termos em inglês.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De fato, se para a esquerda camisetas deveriam trazer mensagens contra a ordem estabelecida, para os tropicalistas elas poderiam dizer, simplesmente “I Love Y♥U”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os tropicalistas não se viam na esquerda, nem na direita. Tampouco se consideravam conciliadores de centro. Estavam “acima”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Você corta um verso eu escrevo outro&lt;br /&gt;Você me prende vivo eu escapo morto&lt;br /&gt;De repente, olha eu de novo&lt;br /&gt;Perturbando a paz e exigindo o troco”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro) - 1972&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;13 de dezembro de 1968. Editado o Ato Institucional nº 5. Parece dezembro de um ano dourado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Congresso Nacional é fechado, os direitos políticos cassados e a censura prévia é institucionalizada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caetano e Gil são presos e exilados em Londres, onde seguem trilhando o caminho da radicalização estética. Geraldo Vandré é exilado no Chile. Hoje, renega sua obra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para os estudiosos, é o fim da canção de protesto, ou canção engajada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o cerco do regime militar se fechou sobre os músicos, a maioria daqueles que integraram o movimento organizado da “canção engajada” mudou de rumo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve, porém, quem passasse a criticar o regime com maior veemência que antes. É o caso de Chico Buarque.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1969, Chico Buarque foi “aconselhado” por amigos, durante excursão que fazia em Portugal, a não voltar para o Brasil. Não voltou. Na Itália,.compõe Agora Falando Sério. Na canção o compositor faz uma autocrítica, confessando-se farto do lirismo que o caracterizava até então e renegando duas de suas canções mais importantes, ou pelo menos, as que tiveram melhor sorte nos festivais: A Banda e Sabiá: “Dou um chute no lirismo / Um pega no cachorro / E um tiro no sabiá / Dou um fora no violino / Faço a mala e corro / Pra não ver banda passar”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diminuído anteriormente por seu lirismo exacerbado, Chico Buarque, agora, criticava duramente o regime. A ameaçadora Apesar de Você foi lançada em 1970. O compacto vendeu 100 mil cópias. Após o sucesso, os militares notaram que “você” eram “eles”, perceberam o “equívoco” que cometeram ao não censurar a canção. A gravadora foi invadida e todas as cópias destruídas. A música só foi regravada e lançada em LP em 1978.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O protesto agora tinha de driblar a censura. Mesmo calada a boca resta o peito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De tanto ver suas músicas censuradas por vício de autoria, ou seja, apenas por levarem sua assinatura, Chico Buarque criou um heterônimo: Julinho da Adelaide. Foram três composições: Acorda, Amor (ou “Chama o Ladrão”), Jorge Maravilha e Milagre Brasileiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E deu certo. As duas primeiras foram aprovadas pela censura sem maiores problemas. Quando receberam Milagre Brasileiro, os censores perceberam a alusão direta à política econômica dos militares: “É o milagre brasileiro/Quanto mais trabalho/Menos vejo dinheiro”. Pediram para ver os documentos do compositor. Como Julinho da Adelaide nunca os enviou, a canção não foi liberada. Foi a morte de Julinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes, porém, Julinho chegou até a dar uma entrevista para o jornal Última Hora sobre sua carreira em ascensão. O jornalista e escritor Mário Prata o entrevistou em 1974, na casa dos pais de Chico Buarque, em São Paulo (leia trechos da entrevista no quadro).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além de Chico, Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc, Vítor Martins, Gonzaguinha, entre outros, seguiram bradando contra o regime por toda a década de 70.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em entrevista ao jornal A Nova Democracia, Paulo César Pinheiro conta como conseguiu que a canção Pesadelo fosse gravada:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Num determinado momento, a censura nem aceitava mais a letra escrita, queriam a gravação, porque na gravação poderia conter uma segunda intenção. Então eu disse: “Olha, eu vou fazer uma malandragem. Vou mandar essa música no meio de um bolo que a Odeon sempre manda. Era um período em que havia muito material para mandar. Tinha um disco do Agnaldo Timóteo, com aquelas canções derramadas, e outras coisas românticas. Pedi a um funcionário da casa que enfiasse Pesadelo no meio desses discos. Assim, a música veio liberada. E o MPB-4 a gravou”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Meu Deus vem olhar&lt;br /&gt;Vem ver de perto uma cidade a cantar&lt;br /&gt;A evolução da liberdade&lt;br /&gt;Até o dia clarear”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vai Passar (Chico Buarque) - 1984&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a abertura política e o fim da censura, a música de protesto perdeu força tal como vinha sendo praticada. Mudou de cara – passando a assumir um rosto também social e voltado para as angústias existenciais do jovem urbano – e de endereço, indo morar nos bairros mais afastados de São Paulo, onde bandas como Ratos do Porão, Inocentes, Cólera e Olho Seco gritavam palavras de ordem contra o sistema sobre uma base urgente de duas, três notas. O movimento punk, ainda que importado da Inglaterra, fazia muito sentido para quem vivia na desesperança de concreto e fumaça da grande metrópole brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Curiosamente, a influência dos punks atingiu os rapazes bem-nascidos de Brasília, filhos de políticos e diplomatas que, no início dos 80, formaram bandas como Aborto Elétrico e Plebe Rude, e, logo depois, em clave mais “pop”, Legião Urbana, Capital Inicial e Paralamas do Sucesso. Estes, alguns anos mais tarde, amplificariam as angústias de Luiz Inácio sobre os 300 picaretas com anel de doutor, com quem tinha de conviver no Congresso Nacional Constituinte. Era uma vez, é ainda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais que o punk, no entanto, foi o rap que incendiou a imaginação de jovens nas periferias do país, de Porto Alegre ao Recife, começando por São Paulo, onde Thaide e DJ Hum, N de Naldinho e Nelson Triunfo davam o tom da festa, nas baladas “atitude” da estação São Bento do metrô. Foi a poderosa semente de artistas e bandas, dentre tantos, como RZO, Z’África Brasil, Rappin’ Hood, Sabotage e o fenômeno Racionais MCs, talvez os maiores cronistas da dura realidade social, surgidos em meados dos anos 90. Em 1999 lançaram aquele que é apontado por alguns como o disco mais importante da história da música brasileira: Sobrevivendo no Inferno, que, mantendo seu caráter independente, atingiu a impressionante marca de um milhão de cópias vendidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Rio surgia o pessoal da hemp family (O Rappa, Planet Hemp), que misturava o punk com reggae e rap, e adicionava boas doses de Bezerra da Silva, cantando “a real” dos morros cariocas, das drogas, da violência policial etc.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde então o rap – ou mais genericamente o hip-hop e suas muitas vertentes e misturas – ganhou centenas de milhares de adeptos e tornou-se, mais até do que música de protesto, ou música social, uma possibilidade real de se fazer ouvir e conquistar um espaço digno na sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rap é compromisso, não é viagem. Às vezes paro e reparo, fico a pensar qual seria meu destino senão cantar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Eu vou rimando João, caetaneando o som,&lt;br /&gt;que é pra dizer pro mundo inteiro&lt;br /&gt;que somos irmão, preto ou branco&lt;br /&gt;então é essa a questão”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rap do Bom (Rappin’Hood) - 2001&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entrevista de Julinho de Adelaide&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mário Prata – (...) Eu soube que você está com três músicas novas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Julinho da Adelaide - Três não, tenho muito mais que três, devo dizer isso. Não tenho culpa se as pessoas pedem sempre as mesmas. Em geral pedem Chama o Ladrão, Jorge Maravilha e O Milagre. Mas eu tenho muito mais músicas. Chama o Ladrão teve um problema com a Censura e O Milagre teve também. Eu queria, inclusive, aproveitar e dizer que eu não quero criar nenhum problema com a Censura, porque, através do Leonel, eu tenho um diálogo muito bom com eles, entende? O Leonel sendo meu procurador, me quebra todos os galhos em todos os sentidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MP – Qual a profissão do Leonel?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;JA – Na carteira tá comerciário, mas ele não exerce a profissão não. Ele trabalha mais como meu procurador, tem boas relações e tal. Tem, inclusive, boas relações na polícia. Então, em relação à Censura, eu tenho esta posição: eu acho bobagem as pessoas falarem que a Censura prejudica, quando eu acho que o negócio de fazer samba, tem que se fazer muito samba. Eu faço muito samba, entende? Faço vários por dia, mesmo. O sujeito que trabalha lá, o trabalho dele é censurar música. Eu respeito muito o trabalho do cara. Quando termina o dia, perguntam: quantas músicas você censurou hoje? O meu trabalho é fazer música. Quantos sambas você fez hoje? Oito, nove. O dia que eu faço dez eu vou dormir em paz com a minha consciência. Cada um no seu ramo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MP – Mas você realmente faz oito ou nove sambas por dia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;JA – Faço. E faço samba duplex, também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MP – Samba duplex o que é?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;JA – São sambas que você pode mudar. Este que eu fiz agora você pode mudar. É sobre o problema da meningite, porque o Leonel me avisou: vai para casa de samba, mas cuidado com a meningite. Me explicou o que era, porque eu não leio muito jornal. Aí eu fiz o samba pelo caminho que diz assim: "Eu fui para São Paulo com a Judith e só saí de lá com a meningite". Eu sei que tem agora umas propagandas de vir pra São Paulo nos fins de semana e eu não quero prejudicar ninguém. Então, se der problema, eu mudo "eu fui para São Paulo com a meningite e só saí de lá com a Judith". Fica, inclusive, como se São Paulo tivesse curado a minha meningite. Faço também adaptações de sambas antigos. Eu tenho umas idéias para o Vinicius de Moraes, que eu admiro muito, aliás.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MP – Você conhece ele?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;JA – Pessoalmente, não. Eu estou procurando um contato com ele porque eu fiz uma adaptação daquele samba dele, Formosa, conhece? Mudei pra China Nacionalista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leia íntegra da entrevista no link:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;http://www.chicobuarque.com.br/sanatorio/julinho.htm&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bibliografia&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Página do Projeto Alta Fidelidade, do Núcleo de Pesquisas sobre a História da Música Popular Brasileira de Curitiba (PR).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nara Leão: Uma Biografia. Sérgio Cabral, Editora Lumiar, 2001.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Verdade Tropical, Caetano Veloso. Companhia das Letras, 1997.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chega de Saudade. A História e as Histórias da Bossa Nova. Ruy Castro, Companhia das Letras, São Paulo, 1990.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chico Buarque – Letra e Música. Humberto Werneck, Companhia das Letras, 1989.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desenho Mágico. Adélia Bezerra de Meneses, Editora Hucitec, 1982.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Era dos Festivais – Uma Parábola. Zuza Homem de Mello. São Paulo: Editora 34, 2003. 528 p.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5229672656772774719-2789196627687030007?l=portrasdaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/feeds/2789196627687030007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5229672656772774719&amp;postID=2789196627687030007&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/2789196627687030007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5229672656772774719/posts/default/2789196627687030007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/05/msica-de-proesto.html' title='E no entanto é preciso cantar'/><author><name>Luís Pini Nader</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
